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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Os Militares da Democracia: os militares que disseram Não




Excelente documentário dirigido pelo documentarista e historiador Silvio Tendler. O filme faz parte do Projeto "Marcas da Memória" da Comissão de Anistia.

Sinospse:

Eles lutaram pela Constituição, pela legalidade e contra o golpe de 1964, mas a sociedade brasileira pouco ou nada sabe a respeito dos oficiais que, até hoje, ainda buscam justiça e reconhecimento na história do país. Militares da Democracia resgata, através de depoimentos e registros de arquivos, as memórias repudiadas, sufocadas e despercebidas dos militares perseguidos, cassados, torturados e mortos, por defenderem a ordem constitucional e uma sociedade livre e democrática.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Otavinho: “Nosso vereador custa 600m2 de paralelo por ano”


Por Alan Camara

Este artigo, o primeiro de uma série que será publicado neste blog, tem o objetivo de avaliar numa perspectiva histórica e comparativa, os acontecimentos políticos e culturais dos últimos 23 anos de Búzios como município. A intenção é utilizar fontes, como jornais, fotografias, documentos oficiais, personagens, eventos, entre outros, observando as mudanças culturais e políticas que aconteceram durante este período e compará-las com o cenário atual. Este artigo, por exemplo, utiliza como fonte, uma entrevista publicada no Jornal O Perú Molhado feita com o arquiteto Octávio Raja Gabaglia, em junho de 1996, alguns meses após a emancipação de Búzios.
Às vésperas das eleições de outubro de 1996, Búzios se preparava para eleger seu primeiro prefeito e sua primeira câmara de vereadores. A cidade ainda respirava os ares de sua independência político-administrativa de Cabo Frio — em 12 de novembro de 1995 – e vivia, o que se pode chamar “os anos dourados” da história de Búzios. Havia no imaginário coletivo do buziano a idealização de uma cidade próspera, que finalmente seria capaz de decidir sobre seus rumos sem a interferência dos políticos cabo-frienses.
Alguns nomes começavam a surgir como expoentes da nova política buziana, ora porque participaram do processo emancipatório, ora porque já se destacavam como políticos tradicionais. Um deles, Octávio Raja Gabaglia, conhecido popularmente como Otavinho, uma das figuras mais importantes da política local naquele período.  Otavinho foi eleito representante de Búzios como vereador em Cabo Frio (1983-1988) e por ter exercido seu mandato nos anos que eclodiram os movimentos emancipacionistas, figurou como personagem importante dentro do processo. Otavinho era vereador quando foi entregue à Câmara de vereadores de Cabo Frio, em 1985, o “Manifesto dos Oito”, documento redigido por um grupo de entusiastas emancipacionistas, considerado um dos primeiros passos que levaria à emancipação. Otavinho foi eleito como vereador nas eleições de 3 de outubro de 1996 e teve seu mandato cassado por dupla filiação partidária, assunto que será mais detalhado em outra oportunidade.
Otavinho era figura recorrente na imprensa buziana, especialmente no Jornal O Perú Molhado, que lhe dedicava periodicamente páginas para entrevistas ou opiniões, nas quais tinha por hábito analisar incisivamente as personagens e os cenários da política, naquele período, ainda em estágio embrionário de formação. Por ter sido figura importante no processo urbanístico da cidade — sua formação é arquitetura —, numa conjuntura na qual a simplicidade intelectual era predominante e, consequentemente, até certo ponto, ausente de outras vozes que pudessem refutar suas ideias e conceitos, Otavinho construiu durante os anos o status de principal formador de opinião para assuntos da política e da cidade. 
Suas críticas, ilustradas por metáforas de cunho urbanísticas, direcionadas aos pretendentes a cargos públicos, mais especificamente aos candidatos a vereadores que proliferavam por todos os lados, ainda estão completamente atualizadas, não por clarividência, mas pelo cenário político buziano não ter sido alterado em nada nesses 23 anos de emancipação. Nas palavras de Otavinho: “Nós temos candidatos, candidatos a candidatos, mas ninguém diz ao que veio.” 

“Nós contra eles”
É interessante observar nos jornais do período as dúvidas e os anseios do cidadão buziano em relação aos rumos que o novo município parecia tomar. A emancipação político-administrativa se deu como resultado da união de todas as camadas da sociedade e juntou classes sociais diferentes num mesmo objetivo. 
Após a vitória do “SIM”, em 12 de novembro de 1995, essas classes retornaram às suas posições originais e cada uma tratou de projetar seus interesses no novo município. Foi nesse contexto que o sentimento do “nós contra eles” começou a ser percebido, inicialmente no campo político-partidário, depois, nas relações sociais entre os “nativos e forasteiros”, que enxergavam horizontes diferentes para Búzios.  
Em 1996, o buziano ainda caminhava na lama e caia nos buracos. A cidade não tinha 20% de sua malha viária pavimentada e esta era uma das principais urgências para que o município pudesse dar seus primeiros passos em solo seco. Isso pode ser observado na entrevista em que Otavinho usa de suas metáforas para comparar o custo do vereador e do paralelepípedo: “Você sabe quanto custa um vereador para Búzios, só em custo direto? Só estou falando do salário que ele recebe, nada de telefone, assessor? 54 metros de rua calçada, com 5 metros e meio de largura, em paralelepípedo, por mês. Então, 600 m2 de paralelo por ano.” 
Em 2019 um vereador buziano custa aos cofres públicos 7.429,95 reais mensais, sem contar assessores, celulares e penduricalhos que recebe. Por ano, o custo de um vereador em Búzios chega a 96.589,35 reais. O preço do metro quadrado de paralelepípedo, segundo tabela 2019 da EMOP (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro) é de 80 reais. Seguindo o raciocínio de Otavinho, somente o salário anual de um vereador de Búzios em 2019 permitiria ao município pavimentar 1.200m2 de paralelepípedo: uma rua!
A câmara de vereadores de Búzios não representa o cidadão
Atualmente pavimentação deixou de ser uma necessidade urgente. Apesar de não ter a malha viária pavimentada em sua totalidade, vias importantes já foram contempladas. Porém, novos obstáculos surgiram, especialmente no que diz respeito à probidade com a coisa pública, e fizeram aumentar antigos problemas, especialmente na educação e na saúde. Nesse ponto, o papel do vereador como fiscalizador dos atos do Executivo é de fundamental importância.   
Nos 23 anos de emancipação, com excessão de alguns lampejos, a atuação dos vereadores não desmentiu as palavras de Otavinho. A câmara de vereadores de Búzios sempre atuou no “limite seco” no que diz respeito ao padrão de atuação institucional esperado, ou seja, muito abaixo do nível de satisfação no qual o cidadão se sente representado. 
Numa análise simples, o Legislativo buziano é uma instituição que se omite de sua principal função: fiscalizar; corrigir as ações do Executivo, quando essas se desviam de seu curso correto e lícito. Por exemplo, ao contrário do que se pensa, é graças à atuação efetiva da Câmara que processos traumáticos, como impeachment, podem ser evitados. Quando há independência do Legislativo, e isso se traduz em fiscalização do Executivo, o cidadão é posto na posição central dessa relação.

  

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Câmara de vereadores emite comunicado sobre impasse político e internautas respondem



Em comunicado sobre crise política em Buzios , Câmara de vereadores dá um tapinha nas costas do buziano e diz: é assim mesmo, vai passar.
Vejam o que os internautas responderam na página oficial da Câmara de vereadores no facebook



Darci Sales A população já não aguenta mais as mentiras e esse vai e vem de dois homens que nesse entra e sai não faz nada a não ser ficar tapando o sol com a peneira, e vocês vereadores do amém que deveriam ficar ao lado do povo só sabem fazer birras com quem tem lutado sozinha mostrando a safadeza que está acontecendo na cidade!

Renata Cristiane de Oliveira Essa nota não pode ser escrita na TL???

Maike Rodrigues Interesse público ou na verdade, o pessoal? ???

Vivi Souza Engraçado é que logo no início do mandato dessa Câmara houve uma negligência da maioria dos vereadores quando se negaram ao pedido de impedimento do Prefeito em questão. Não é preciso lembrar os nomes que fizeram parte dessa história. Então... vcs são conivententes sim!
( Mais uma vez, digo que a paralisação é com S)


Eduardo Moulin Os principais responsáveis por esta instabilidade no governo são os senhores por deixar chegar a este ponto, oportunidades tiveram mais de uma vez de retirar o Governo porem decidiram se juntar a ele!

Lucas Pereira Dos Santos Me desculpe a câmara e me desculpe vereadora. mas isso ta pior que qualquer cabaré que já existiu.
enquanto isso a cidade que já não andava bem vai de mal a pior.
turismo perdendo força.

violência aumentando.
ruas piores que muita cidade que não recebe nem um decimo que búzios recebe.
Eu lucas pereira dos santos.
filho de lígia e lúcio(nego pipoqueiro)
Tenho vergonha. vergonha não da cidade. mas dos políticos que ela administram. isso inclui a briga de galo(dos dois prefeitos.) e de vocês. que a mais de 1 ano veem essa situação e nada fazem. pelo contrario. puxam sardinha pro lado que vocês consideram melhor. e esquecem da cidade.
cidade essa que esta prestes a completar 25 anos.
E ninguém ver o potencial que esta cidade perde ano apos ano. com continuo prefeitos e vereadores que viram o bem próprio e tentam força a barra dizendo que estão atras do interesse publico.
no dia que eu ver vocês indo de transporte publico ao trabalho. e resolverem todos os problemas de saúde de vocês e educação dos filhos de vocês como um cidadão do qual vocês tanto juram, e afirmam perante Deus e o mundo que se preocupam. eu começo a acreditar em vocês.

ARMAÇÃO DOS BÚZIOS 
TRISTE CIDADE RICA.
onde suas riquezas se perdem como muitas outras em prol do poder $$$


Gerson Sampaio a população tem é que ir pra rua pra acabar com essa palhaçada,esse vai é vem da cadeira não ta tendo nem marcação de consulta,,búzios ta um cachorro sem dono..😡


Rafael Dias 100% de renovação pro legislativo. E o único jeito!!

Marilene Rabello Piada. Façam como a Gladys Nunes. Cobrem de verdade. Sejam o que são pagos pra fazer e não com propina, cargos e toma lá dá cá. Hipocrisia

Marcos Silva Sobre o penúltimo parágrafo da NOTA OFICIAL: poderiam diligenciar sobre as condições da nova UBS da Ferradura, considerando as alegações da ASCOM da Prefeitura de Búzios: "...foi constatada que o local não está em condições de iniciar o atendimento para população." (https://bit.ly/2XN57W4) O que é isso senão resultado da instabilidade política que se instalou no município? O Conselho Municipal de Saúde está até a presente data aguardando o envio de informações para elaboração de parecer sobre as contas do exercício de 2018.

Link:
https://www.facebook.com/camarabuzios/photos/rpp.779483148747668/2688052437890720/?type=3&theater

quinta-feira, 11 de julho de 2019

André e Henrique: a Câmara de vereadores vai fazer o quê?



Se houvesse em Búzios um Poder Legislativo que atuasse com independência e com a estatura que a instituição exige, poderia, como parlamento, mediar este conflito jurídico entre o prefeito e o vice-prefeito. Um cessar-fogo! É necessário buscar uma alternativa para esta crise; um acordo entre o prefeito e o vice, para que esta gangorra jurídica não afete o cidadão. Não seria interessante manter a mesma estrutura administrativa? Manter cargos comissionados essenciais para o funcionamento da administração?
Cadê o legislativo? Não tem!

sábado, 9 de março de 2013

Mais 'Educação', secretário!

Amigos vocês não vão acreditar. Aqui em Búzios, região Sudeste, em pleno século XXI, tem um vereador que defende, a plenos pulmões, o clientelismo da indicação política para professor de sala de aula! Quem não é daqui já tem um motivo a mais para visitar a cidade. Além de suas belíssimas praias, a cidade ganhou mais uma atração. É muito insólito. Estou curioso para saber o que o MP e o TCE farão diante de uma figura dessas.

Claudio Mendonça (Secretário de Educação)


Cena que está se tornando comum: estudantes voltam para casa por falta de professores. Mães de alunos também reclamam da merenda em algumas escolas. Foto: Facebook

Este já é o terceiro post deste blog iniciado com aspas do mesmo personagem, e observem,  todos os comentários seguem no mesmo tom. Bom para os leitores avaliarem o nível atual da relação entre o secretário Claudio Mendonça e o vereador Felipe Lopes, que seguem trocando ataques como fazem alunos em sala de aula ao lançarem bolinhas de papel um no outro, sem que haja intervenção do professor para encaminhar os dois - especialmente o secretário - à direção para correção e disciplina. Mas ao que tudo indica, falta o professor, o mestre para esta atitude!

Bom seria se toda população pudesse ter acesso ao que estamos vendo desde que o secretário de Educação decidiu interagir com os internautas e transformar a Educação de Búzios neste início, numa crise política entre um membro do governo e do legislativo. Assim a cidadã que reclama na última edição do jornal O Perú Molhado, (veja comentário abaixo) que seu filho comeu como merenda "apenas uma maçã" poderia ver com mais clareza porque a educação de Búzios em 2013 ainda não reagiu. 

A intervenção do secretário nas mídias sociais tem sido um desastre, não dá para entender como alguém ainda não o aconselhou a focar mais em seu trabalho, que por si só já é uma tarefa hercúlea, e deixar para a sua assessoria a tarefa de se relacionar com o público na internet. O secretário insiste em seguir na direção do que tem sido comum em suas falas: o sarcasmo e a ironia, o que só faz 'atiçar' os ânimos e aumentar a sua rejeição como secretário. 

Quanto ao conflito, que já tem caráter pessoal, das duas uma: ou o prefeito orientou o secretário a "peitar" o vereador Felipe Lopes para levá-lo ao desgaste político, ou a situação está completamente fora do controle. Veja abaixo alguns comentários pinçados durante a semana e avalie se não é a hora do prefeito dar um basta nesta situação e colocar ordem na casa.


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Secretário por que o Sr. não se defende das acusações ao invés de levar o Embate pro lado Pessoal?


Bruna Carla ( Facebook)


O Dr. André beijou as crianças na campanha, e mal começou o mandato e o ano letivo, e já está essa palhaçada. Isso é uma vergonha! Como as crianças vão ter condições de estudar com apenas uma maçã na barriga? Eu liguei para a escola e me disseram que os problemas estão ocorrendo porque o colégio está sendo dedetizado. Eles tiveram o período todo de férias para fazerem isso e vão fazer justo quando começa as aulas? Só acredito em vocês do jornal para expor essa situação revoltante.

Andrea Torres (O Perú Molhado)


As escolas do centro, os estudantes estão todos saindo agora também, inclusive minha filha de 8 anos não teve aula hoje e nem terá amanhã. O que está acontecendo? Alguém poderia me responder? Por favor!!!! Antes que eu comece a falar coisas que não quero. 

Carol Bolos (Face Book)



Minha filha estuda na escola Nicomedes no turno da tarde, hoje ela foi e retornou sem ter nenhuma aula, nos outros dias tem saído as 14:30, se não me engano, só uns dois dias no máximo após o inicio do ano letivo teve todas as aulas. Cadê os professores, cadê os livros escolares??? Quero ser informada do que está acontecendo, algum de vocês por gentileza poderia me explicar? Secretaria de Educação , Sr. Secretário de Educação Cláudio Mendonça e V. Ex.ª Prefeito Doutor André , Reage Búzios!

Ana Tardelli (Facebook)


(...) sinceramente não dá pra assistir o cara querer aprovar moção de repúdio porque eu simplesmente cumpri o que determina a Constituição do nosso País. Mas muitos vereadores estão a nosso favor! Há esperança!

Claudio Mendonça (Secretário de Educação)


Bom... como o secretário de educação de Búzios me excluiu no facebook antes que eu pudesse responde-lo, vou ter que fazer por aqui mesmo.

Senhor CLÁUDIO MENDONÇA o senhor ESTÁ secretário na minha cidade e por esta razão É MEU FUNCIONÁRIO uma vez que SOU EU QUEM PAGO SEU SALÁRIO, através dos meus impostos. Sendo assim tenho todo direito de expor minha opinião em relação a seu trabalho. 

Quanto as suas reclamações de xenofobia .. mencionando até mesmo artigos da Constituição, quero te dizer que sou totalmente contra a esse tipo de atitude. Acontece que, um prefeito é eleito para defender e lutar pelos seus munícipes e me parece que você não entendeu isso ainda. Entenda que o seu salário vem dessa cidade, são os buzianos quem te pagam atualmente! A propósito, é verdade que o senhor foi candidato a vereador na sua cidade, perdeu e está trazendo seus eleitores para trabalharem aqui?? O senhor também trabalha com empreguismo??

Rafaella Souza (Face Book)


Tem muita gente de fora trabalhando aqui e bons profissionais que fizeram um ótimo trabalho pela educação desta cidade, que se esforçaram para concluir sua faculdades e estão buscando continuar estudando para uma qualificação melhor que estão desempregados.

Juliana Arantes (Face Book)



Mentira sua Juliana. No processo seletivo tivemos 30% de pessoas de Búzios inscritas e 62% APROVADAS!!!!!!!!! Em 2012, com o modelo das indicações políticas tinha era MUITA gente de CABO FRIO sabia? Já achei mais de 20. Se quiser eu amanhã publico os nomes.


Claudio Mendonça (Secretário de Educação)

Gente esse homem precisa ser internado. Vejam palavras dele em um debate com outras pessoas. "A questão não é ser daqui ou não. A Constituição Brasileira proíbe a discriminação de brasileiros. Essa regra vale tanto para o concurso quanto para o processo seletivo. O que havia antes era um sistema de indicações que somente tinha acesso quem era apadrinhado." Ele que veio de Niterói após uma eleição caótica em que recebeu 623 votos... após ter sido trazido para o nosso município apadrinhado pelo Sr. Dr. Prefieto e uma legenda política PSC... fala sério Sr. Secretário, a sua pessoa deve estar querendo brincar com minha inteligência.

Sonia Silva (Face Book)

Este sr. Claudio Mendonça precisa saber que aqui tem pessoas dignas, e que não precisamos de tiranos no poder. É melhor voltar para Niterói de onde não deveria ter saído.

Glaucilene Chaves (Face Book)



sábado, 2 de março de 2013

O confronto está travado



“O que o povo de Búzios precisa é de educação de qualidade pra parar de depender de político pra arrumar emprego. E existem políticos que dependem desse modelo pra garantir suas eleições.” 

Claudio Mendonça,  Secretário de Educação 

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“Achar que um professor está se trocando por emprego; é pensar muito levianamente sobre o nosso povo”.

Felipe Lopes,  Vereador 

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Não há mais como retroceder, o confronto é iminente e pelo o que foi visto até agora na Câmara, nas mídias sociais e nas ruas, a relação entre o secretário de Educação, Claudio Mendonça e o vereador, Felipe Lopes já está inviável e segue em rota de colisão política transformando a ‘educação de Búzios’ nesse início de mandato, numa sopa de letrinhas confusa, cheia de rótulos, desculpas, filosofias e até insinuações de fisiologismo. 

De fato, o início da gestão do secretário não foi feliz, especialmente no que diz respeito à falta de professores e as condições que os alunos encontraram as escolas nesse início de ano letivo; e o que se ouviu ou viu sobre isso, foram desculpas e justificativas que soaram bem aos ouvidos, mas que na prática não convenceram. 

O secretário ainda é visto por muitos como um astronauta que chega a Marte e não sabe da ausência de oxigênio naquele planeta. Essa ausência de informação política/cultural ‘local’ tem sido um dos pontos desfavoráveis ao secretário, que até agora, a não ser pelo embate, não descobriu como lidar com estes temas ainda desconhecidos. Em nome do que o vereador Felipe Lopes, seu principal crítico, considera como “impessoalidade” - que segundo o vereador foi o critério usado para a escolha dos professores temporários - já se ouve do secretário, expressões como ‘nativismo’ e ‘clientelismo’ no que pode ser uma tentativa urgente de tentar separar em partes a opinião popular para agregar apoio à sua posição política para a este tema. 

O nervo dolorido desse embate entre o vereador e o secretário, foi o processo seletivo para professores, que para a população, profissionais da educação e vereadores ainda não está claro, especialmente quanto aos critérios utilizados para a seleção desses profissionais que não se sabe quais foram. Isto já foi alvo de requerimento proposto pelo vereador Felipe Lopes, aprovado em plenário da Câmara na última quinta-feira, que solicita ao executivo, informações integrais deste processo.

O vereador alega em seus argumentos que este processo desfavoreceu o profissional que reside em Búzios, - há relatos de professores qualificados e experientes que residem no município que foram desclassificados, e de recém-formados com residência fora de Búzios que obtiveram a seleção no processo. Relatos como esses e outros se proliferam, alguns insinuando favorecimento na escolha de eleitores que votaram no prefeito, e que levou o vereador Felipe Lopes a fazer um discurso pela valorização do professor local, com duras críticas ao processo seletivo implementado pelo secretário, inclusive, segundo o vereador, considerado como um ato covarde contra o professor da cidade: 

- Se a gente não atentar para isso, se a gente não usar esta tribuna que é aonde nossa voz pode ser ecoada, senhores vereadores, nós estaremos sendo coniventes com esta bagunça que está aí. – Disse o vereador na tribuna. 

O secretário se defendeu atacando, e sem citar nomes, chegou a insinuar clientelismo e exercício de poder político para manutenção de privilégios, disse também em comentário aqui no blog, que esse “esse modelo clientelista contraria o interesse de alguns políticos: 

- E tem um punhado de pessoas de espírito miúdo que só pensa, fala e se preocupa com emprego para si, indicação de apaniguado e/ou exercício do poder político na base do clientelismo e do favorecimento. Na fachada do nativismo se esconde a luta pela manutenção dos privilégios. – postou o secretário em seu perfil no Facebook. 



 A Educação não pode ficar refém desse conflito que só tende a piorar
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A guerra está travada e vai demandar habilidade política do executivo para contornar esta crise política que já se instala entre um membro do executivo e do legislativo. O vereador Felipe Lopes, como professor, tem uma bandeira política definida e legitimada pelas manifestações de apoio popular que vem tendo sobre esta questão. Independente de ser nativo ou não, o profissional e o morador que residem em Búzios, de maneira geral já aderiu ao argumento do vereador que reforça a importância da mão de obra qualificada de Búzios em benefício da economia local. Se a intenção por trás disso tudo – como disse o secretário - é o exercício do poder político para favorecimento e clientelismo, isso deverá ser fiscalizado no devido tempo.

O secretário ainda busca uma forma de comunicar ao cidadão a sua política para a educação mas ainda não obteve êxito em se fazer compreender, talvez pela complexidade do seu projeto ou pela dificuldade de traduzi-lo ao nativo e não-nativo; e diante dessa dificuldade e das contestações de suas ideias tenha optado pelo caminho mais difícil: o embate   

Tudo indica pelo que foi visto até agora, que os espinhos estão no caminho entre o secretário de educação e o vereador que representa uma classe importante da cidade. A Educação não pode ficar refém desse conflito que só tende a piorar, e o governo vai precisar entrar com a régua e o compasso para definir esta situação.


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Bem-te-vi: a quem interessar possa

Estamos diante de um ato do executivo que pode tirar dos cofres públicos um valor milionário




Segundo noticiou o jornal Primeira hora em sua última edição, o prefeito André Granado desapropriou a Fundação Bem-te-vi e teve pelo governo, segundo o jornal, seus bens móveis e imóveis avaliados pela quantia de 500 mil reais. - É tão hilário que só resta rir mesmo. 

Deixando de lado o que pode ser uma performance teatral, qualquer morador da cidade sabe que com esse valor não se compra nem uma casa de 300 metros quadrados no bairro de Manguinhos, por exemplo. Quem dirá uma propriedade do porte da Bem-te-vi com seus 144 mil metros quadrados. Talvez esse montante (500 mil reais) não cobriria nem o custo do ginásio poliesportivo que há naquela fundação.

O que vai acontecer em seguida é obvio. A gestão da instituição certamente ingressará na justiça com ação de contestação; e por estar concretizada a desapropriação restará a parte seguir pela via da anulação - caso se comprove alguma irregularidade do ato - ou da correção de valor de mercado, a opção mais provável. A gestão da Bem-te-vi,  que certamente terá em mãos, laudos e avaliações consistentes sobre a propriedade terá grandes chances de êxito em todas as instâncias, restando ao município o pagamento do valor real.

Qual é o valor real? Especulam alguns corretores que o valor venal da propriedade ultrapasse os 15 milhões de reais. É uma quantia considerável, se for tirar de um orçamento de 204 milhões. É dinheiro para fazer muita coisa. Daria por exemplo, para revitalizar com ciclovia e calçada, todo percurso desde a entrada da Tartaruga até o Posto de Ceceu. Poderia com esse valor construir aproximadamente oito escolas com o mesmo padrão de qualidade da Escola de Vila Verde. Faria a urbanização e a revitalização da Lagoa de Geribá transformando-a num novo ponto turístico e de lazer. Resolveria boa parte dos problemas de lançamento de esgotos nas praias de Búzios. Faria, daria e poderia fazer muitas outras obras consideradas de maior prioridade no município.

Ao que tudo indica, não são essas as prioridades do governo. Se foi por perseguição política - como sugeriu o jornal Primeira Hora - ou não, o fato é que é muito estranho este ato do executivo aos 45 dias de governo, que deve ser visto ou assistido -caso seja uma encenação - com mais atenção por parte da população. A lua de mel que ainda vive o buziano com o novo governo corre o risco de gerar um efeito colateral permissivo e aceitar que atos escandalosos que podem vir acontecer sejam ignorados ou tratados com passividade pelo cidadão.



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Bem-te-vi: desapropriação é prioridade?


O prefeito André Granado deve vir a público e esclarecer à população os fatos, e também justificar um investimento tão alto (25 milhões) diante de tantas prioridades no município




Na última segunda-feira o mundo se surpreendeu com o anuncio da renúncia do Papa Bento XVI. Muitas versões foram levantadas, até mesmo conspiratórias e exageradas. Algumas sugeriam até mesmo intervenção da máfia italiana nos assuntos do Vaticano. Outras, mais fatalistas apontavam para o final dos tempos.

Teorias e conspirações à parte, o Vaticano tratou logo de divulgar sua versão, e em pronunciamento oficial alegou cansaço e enfado do sumo pontífice para desempenhar sua função sacerdotal e ponto final. - Se essa versão é verdadeira ou não só a história contará. 

Como essa semana pós-carnaval estava fadada a surpresas, para não fugir da vanguarda, hoje (sexta-feira) Búzios recebe a notícia através do Jornal Primeira Hora da desapropriação da Fundação Bem-te-vi, localizada no Bairro da Rasa. 

A notícia chegou com o mesmo teor de especulações que a renúncia do Papa, e que provavelmente – como foi com Bento XVI – se desenrolará em versões nos próximos dias, até que o prefeito André Granado - como fez o pontífice - divulgue oficialmente a sua versão para o fato. 

A importância social da Fundação Bem-te-vi é inquestionável. É um projeto social grandioso que desempenhou em sua ‘época de ouro' um papel importante para a comunidade da Rasa. Após aquele período, a fundação declinou e passou a manter algumas atividades sociais, mas muito aquém de seu potencial apresentado no início. 

Em 2010 a prefeitura de Búzios, através do então prefeito Mirinho Braga assinou uma parceria com a Fundação e a prefeitura passou a utilizar sua sede para implantação do projeto "Educação para toda vida" através do sistema de ensino integral - CEMEI - que revigorou o espaço e abriu novamente suas portas para a comunidade da Rasa.




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"O CEMEI vai funcionar muito maior do que era. Vai funcionar de domingo a domingo. Vai ter o sábado da saúde, o domingo da família. Vai ter circo, teatro' cinema (...) artes marciais." - prefeito André Granado em entrevista a Radio Estação 104 FM
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Apesar de não ter sido explorado em sua totalidade, o CEMEI é um projeto vencedor do governo Mirinho Braga, que segundo as palavras do prefeito André Granado, será reaproveitado em sua gestão utilizando o mesmo espaço da Fundação Bem-te-vi para diversas atividades em tempo integral - exatamente como era o conceito original. 


A versão publicada no jornal aponta para uma suposta 'perseguição política', um "ato do prefeito que pode ter raízes em revanchismo político" - diz o jornal - e levanta também uma série de fatos recortados para justificar tal atitude por parte do governo. 

Diante de um fato tão surpreendente quanto a renúncia do Papa, fica no ar e na cabeça do cidadão dúvidas e especulações sobre qual é de fato o motivo real dessa desapropriação milionária. (25 milhões), da fundação Bem-te-vi. 

O prefeito, assim como fez o papa, deve vir a público e esclarecer à população os fatos, e também justificar um investimento tão alto diante de tantas prioridades no município. Explicar se realmente essa desapropriação é verídica e necessária nesse momento, e se não é interessante dar continuidade, uma vez que, segundo o JPH, o secretário de Educação Claudio Mendonça indicava o mesmo tipo de relação de parceria e cooperação técnica entre a prefeitura de Búzios e a Fundação Bem-te-vi. 

Com a palavra, o sumo alcaide André Granado.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Estagiários pra quê?


Alguns estudantes que tinham essa renda como essencial para o prosseguimento de seus estudos ficaram com uma sensação de que foram vítimas de alguma manobra política




Os estagiários que prestavam serviço para prefeitura de Búzios foram surpreendidos com o aviso de demissão de seus cargos sem qualquer comunicado oficial por parte das chefias. Alguns souberam por meio das redes sociais ou informalmente, e só depois foi confirmado quando procuraram setor de recursos humanos.

Segundo informações, a secretaria de gestão já havia emitido memorandos a todos os secretários comunicando a determinação quanto a rescisão dos contratos dos estagiários para o mês de fevereiro, e a elaboração de um novo processo de seleção de novos estagiários através de um recadastramento.

O que estranha é o fato de não ter havido qualquer comunicação prévia a esses universitários que recebiam o salário - um pouco mais de 500 reais para ajuda no estudos - e que foram pegos de surpresa com a notícia da demissão.

Outro fato é quanto ao prazo de validade do contrato que venceria somente em 2014 rescindido unilateralmente, sem qualquer argumentação jurídica, uma vez que o programa de estagio é previsto pela lei 731/09.

O que não pode ser usado como argumento para esses cortes é o impacto orçamentário desses estagiários na folha salarial - que é mínimo - uma vez que a fonte para esses recursos são os royalties e não os recursos ordinários utilizados para a folha salarial do servidor concursado ou comissionado.

Alguns estudantes tinham essa renda como essencial para o prosseguimento de seus estudos e que ficaram com uma sensação de que foram vítimas de alguma manobra política.

Definitivamente não foi bom para a imagem do governo junto ao segmento educacional afetar dessa maneira uma categoria que está em processo acadêmico e conta com esse suporte financeiro para custear seu desenvolvimento como profissional.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Ruas X Correios


Só se poderá cobrar dos Correios, bem como da Prolagos, da Ampla, ou mesmo de outros concessionários ou prestadores de serviços, o cumprimento da referida Lei depois que o executivo regulamentar a lei.

Por Messias Carvalho - Vereador de Búzios.

Nos últimos dias tem se falado sobre os serviços dos Correios. Em Tamoios, iniciativa do Deputado Jânio Mendes, que buscou o apoio do Senador Lindberg Farias, resultou na instalação de Agência dos Correios naquele Distrito de Cabo Frio. Presente na reunião, o Vereador Lorram Silveira, em Rede Social e da Tribuna da Câmara Búzios, falou sobre o assunto, abordando a sua importância para o Município e relacionando-o com a denominação de nossas ruas.

Visando contribuir para o esclarecimento do assunto, relato abaixo o histórico de sua tramitação nos poderes Executivo e Legislativo do Município, nos últimos 9 anos.

No segundo semestre de 2004 (último ano da legislatura 2001-2004; eu estava como Secretário de Habitação e Assuntos Fundiários do Governo Mirinho Braga), chegou um projeto de lei na Câmara com um estudo contratado pelo Executivo contendo nomes de 1176 ruas e 17 mapas mostrando suas localizações.

Este projeto de lei ficou parado na Câmara por pelo menos 2 anos (o presidente era Francisco Neves) e só no período de Genilson na presidência e depois de muita discussão, que provoquei, sobre indicação de nomes de ruas por vereador, sem se considerar a necessidade de um estudo, é que foi constituída uma comissão especial, da qual participei junto com Fernando Gonçalves, que a presidiu, e Flávio Machado, para retomar a discussão do referido projeto de lei.

Montando o quebra-cabeça

Pra explicar de maneira resumida a dificuldade que foi transformar um projeto de lei de 2004 em uma proposta pra votação, tivemos que publicar edital convocando associações de moradores para propor nomes para as ruas (o estudo só apresentava nomes já conhecidos e dados quando Búzios era ainda distrito de Cabo Frio); tivemos que realizar audiência pública; tivemos que aguardar os nomes de ruas propostos por associações e vereadores; tivemos que elaborar o anexo com todos nomes, fazendo antes o cruzamento entre eles porque havia muita repetição de nomes; e tivemos que montar, com a assessoria técnica da Secretaria de Planejamento (isto já em 2008 – governo Toninho Branco), o quebra-cabeça dos 17 mapas. Chegou ao fim o ano de 2008...

Assim que assumi a presidência da Câmara, em janeiro de 2009, estive com a direção dos Correios para consolidar entendimento quanto a interface existente entre o assunto do projeto de lei e os serviços prestados pela Empresa no Município. A posição dos Correios é que tão logo o Município execute a denominação das ruas e a numeração dos imóveis, carteiros farão o serviço de entrega de correspondências em todo o território municipal. Elaboramos, em seguida, pela Mesa Diretora da Casa, um projeto de lei substitutivo, contendo 22 artigos (o texto do projeto de lei original continha apenas 2 artigos) e dois anexos (Anexo I – nomes das ruas; Anexo II – mapas), que encaminhei para emissão de parecer pelas comissões permanentes.

O atraso na tramitação do projeto de lei

Os vereadores que assumiram o primeiro mandato na legislatura 2009-2012 quiseram contribuir para a discussão, principalmente visando a substituição de nomes de ruas (que, consequentemente, provocou alterações nos mapas - o que só a Secretaria de Planejamento, agora do Governo Mirinho Braga, tinha condição técnica de fazer). Ou seja, a mudança de legislatura, não sem motivo, contribuiu também para o atraso na tramitação do projeto de lei na Câmara, fazendo com que o projeto de lei substitutivo só fosse à votação em julho de 2010, resultando na Lei 804/2010.

Aí vem a resposta ao questionamento que tem sido feito ao Legislativo municipal: cabe tão somente agora ao Legislativo COBRAR a regulamentação da Lei 804/2010. E para isso tem uma única forma, que já protocolei na Casa: INDICAÇÃO ao Prefeito para que, por intermédio da Secretaria competente (SECRETARIA DE PLANEJAMENTO), regulamente e execute o que dispõe a referida Lei. Por todo o histórico da tramitação desta matéria na Casa Legislativa, é só o que resta fazer o Legislativo, sendo inócua a constituição de outra comissão especial.

Outro questionamento que deve ser respondido e que poderia justificar a constituição de comissão especial: porque os Correios não cumprem o disposto na Lei 804/2010? A resposta direta e óbvia é que só se poderá cobrar dos Correios, bem como da Prolagos, da Ampla, ou mesmo de outros concessionários ou prestadores de serviços, o cumprimento da referida Lei, depois que o Executivo Municipal regulamentar e executar o que nela esta contido.

O dever de casa dos correios

Mas será que os Correios estarão preparados para atender a população quando o Município (no caso, agora, o Executivo Municipal) concluir “o dever de casa”? Afinal, o que se houve no noticiário sobre a Empresa é que ela não tem carteiros suficientes para atender a demanda existente; que precisa realizar concurso público. FATO!!! Mas este problema é da Empresa. O que poderão fazer o Legislativo ou o Executivo Municipal? Como já foi dito, o Legislativo COBRAR do Executivo, que deve informar, de imediato, aos Correios e outros, sobre as providências e prazos estabelecidos para que, tão logo esteja EXECUTADO “o dever de casa”, tais empresas, de posse de banco de dados fornecido pelo Governo, possam prestar bons serviços à população buziana.

Em reunião com a Secretária de Planejamento, Alice Ribeiro Passeri e equipe técnica, na manhã de ontem (quinta-feira, dia 31/01/13), me foi dito que providências já estão sendo tomadas e outras o serão, algumas resultantes de nossa conversa, como a necessidade de se fazer novo estudo (este, complementar ao de 2004) para a identificação e regularização de ruas abertas desde então, permitindo assim a oficialização, pelo Legislativo, de seus nomes.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Nani Mancini estava certo


O que era considerado como a "loucura de Nani Mancini" passa a ser visto com lucidez diante do declínio do  modelo de "vila de pescadores'.


Montagem sobre foto Wikepedia


Uma cena dessas pode até parecer sensacionalista e surreal, ainda mais para o morador buziano que, ao invés de prédios modernos com para-raios, garagem subterrânesa e janelas espelhadas, está acostumado a olhar para cima e ver somente as gaivotas voando sob o céu quase sempre azul de Búzios.

- Edifícios em Búzios? Impossível. - Dirão alguns. Mas o exagero é o melhor remédio para prevenir esse mal que surge novamente nos corredores do executivo, do legislativo e também nas rodas dos fofoqueiros que fazem o melhor serviço de difusão de notícias de Búzios.

Esse assunto já havia sido levantado anteriormente por Nani Mancini (empresário e candidato a vereador na última eleição) que chegou a pregar por algum tempo que a vocação da cidade não deveria mais ser a de 'vila de pescadores' e seus casebres de dois andares.  O empresário passou a defender a construção de prédios de até cinco andares para atrair um público de maior poder aquisitivo. Como todo visionário, na época a proposta de Nani Mancini foi considerada uma "loucura" diante de uma questão quase sagrada na mentalidade da cidade e logo foi engavetada.

Para não aprofundar muito na história, a lei que determina o segundo andar foi um projeto do arquiteto Octavinho, então vereador de Cabo Frio, quando Búzios ainda era um distrito. A iniciativa partiu da necessidade de manter o que o arquiteto considerava como "estilo Búzios": casas com telhas coloniais e com gabarito de dois pavimentos com altura máxima de 7, 80 metros.

Esse 'estilo Búzios' fora adaptado da “casa do pescador buziano" que o arquiteto passou a utilizar em todos os seus projetos, e que influenciou todos os outros profissionais que projetaram casas em Búzios. A regra imposta pela lei, apesar de antipática no início, ganhou a aceitação alguns anos depois e hoje é considerada um diferencial no estilo arquitetônico de Búzios em relação a outras cidades com o mesmo perfil.

O que era considerado como a "loucura de Nani Mancini" passa a ser visto com lucidez diante do declínio do  modelo de "vila de pescadores' que nos últimos anos, vem dando lugar aos condomínios de casas geminadas  e aos grandes resorts. A proposta para derrubada da "lei do segundo pavimento" começa a ganhar corpo e forma para ser apresentada à sociedade buziana com todos os argumentos necessários a sua aceitação.

A questão principal, caso isso não passe de boataria, é saber o posicionamento do legislativo e do executivo - que tem no seu núcleo principal o autor dessa lei - diante de um tema tão delicado que causaria impactos sociais e estruturais em toda cidade.

Mas a participação fundamental é da sociedade que vai escolher o melhor modelo para o futuro da cidade: a especulação imobiliária e seus edifícios de frente para o mar, ou o resgate do velho ‘estilo Búzios’? Um dado que deve ser levado em conta é a mudança do perfil do morador de Búzios, que nos últimos anos vem crescendo em razão da imigração descontrolada e se mostrando desconhecedor das tradições e dos conceitos da cidade, e saber como esse 'novo morador' vai se comportar diante da escolha desse modelo.

*acrescentei uma linha ao final do texto para deixar mais claro o último parágrafo.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Búzios:o populismo vai colar?


A diferença entre a escola que o presidente Barack Obama ajuda a pintar e o “matagal” que o prefeito André Granado ajuda a capinar é somente o cenário da praia de João Fernandes ao fundo.





A naturalidade tem pautado as ações de marketing na relação entre o político e o cidadão. O comportamento rígido, o terno, a gravata e o gabinete fechado, têm sido elementos dispensáveis nas ações pessoais dos líderes que buscam a construção de uma imagem positiva. Essa busca pelo ‘positivismo’, traduzido muitas vezes por ações até certo ponto populistas, já é uma tendência na conduta midiática dos líderes e homens públicos atualmente.

Nessa era da popularização do líder, a comunicação com o cidadão passa a ser feita de maneira mais simples e direta, e às vezes didática, com mais ações pirotécnicas e de impacto visual. O vocabulário complexo dá lugar às alegorias e as analogias que passam para o ouvinte uma mensagem mais clara e de fácil absorção. A linguagem conceitual que transforma o homem público em produto passa a ser direcionada às camadas mais simples da sociedade que facilmente consome esse formato manufaturado da imagem.

De maneira geral é o cidadão que provoca esse conceito de ‘informalidade’ do homem público. A fórmula do ‘prefeito que vai a campo’, como disse André Granado recentemente no jornal O Perú Molhado, é a resposta a uma demanda social, um espaço político a ser ocupado, e que sugere um “olhar mais próximo” e pessoal do governante. Esse vácuo político que a sociedade involuntariamente reserva, é uma terra fértil para tentativas de novas lideranças se firmarem ocupando o espaço com manobras populistas.

A diferença entre a escola que o presidente Barack Obama ajuda a pintar e o “matagal” que o prefeito André Granado ajuda a capinar é somente o cenário da praia de João Fernandes ao fundo. O populismo é explícito nas duas imagens - talvez um pouco menos na de Obama - mas ainda assim com mensagem marqueteira. 

A do prefeito de Búzios é mais populista porque é urgente. André Granado busca ocupar um espaço como liderança política. E tenta se firmar buscando dar respostas rápidas às demandas de serviços existentes, se apresentando como o líder presente, tentando ser a todo custo o que ele considera como antítese de seu antecessor, o ex-prefeito Mirinho Braga.
  
O sistema político americano alimenta essa postura de líder nas trincheiras, com mangas arregaçadas e pronto para pintar escolas. No Brasil, Lula é a matriz desse formato que se dissemina e molda essas figuras públicas com exemplos como Garotinho ou Chiquinho do Atacadão entre outros, que se consolidaram como figuras populistas. O prefeito André Granado, talvez ainda sem identidade política definida, e a olhar pela foto, claramente segue nesse caminho. Será que em Búzios esse populismo vai colar?

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