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segunda-feira, 22 de junho de 2020

A vida e o legado de Luiz Gama, herói da liberdade

Luiz Gama (c. 1860)



Por Irapuã Santana 
Publicado no caderno Estado da Arte - Jornal Estadão (21 de junho de 2020)

“Eu disse, uma vez, que a escravidão nacional nunca havia produzido um Terêncio, um Epitecto, ou sequer, um Spártaco. Há, agora, uma exceção a fazer: a escravidão, entre nós, produziu Luiz Gama, que teve muito de Terêncio, de Epitecto e de Spártaco”. [1]
Sílvio Romero

Uma criança negra livre é vendida para quitar uma dívida de jogo de seu pai, consegue a alforria, estuda Direito e consegue libertar mais de quinhentas pessoas escravizadas.

É roteiro de filme hollywoodiano, mas sua origem é real e bem brasileira. Ela começa em Salvador, Bahia, em 21 de junho de 1830, quando nasceu Luiz Gonzaga Pinto da Gama.

Jornalista, poeta, advogado e um ativista incansável na luta contra o regime escravocrata, Luiz Gama deveria estar entre as figuras mais conhecidas da história brasileira, como um dos maiores, senão o maior, símbolo dessa época. No entanto, apesar de um grande potencial de transmissão de sua mensagem à frente, diante da quantidade de documentos históricos à nossa disposição, bem como por se tratar de um passado relativamente recente, pouca gente conhece a história desse verdadeiro herói.

Assim, estas poucas linhas são uma singela tentativa de fazer justiça à memória desse grande personagem brasileiro.

Filho de Luiza Mahin, uma negra africana livre, com um fidalgo de origem portuguesa de uma das principais famílias baianas, cujo nome se desconhece, Luiz Gama, com apenas dez anos de idade foi vendido como escravo por seu pai.

Ao desembarcar no porto de Santos, subiu a serra – descalço e faminto – até Campinas. Para se ter uma ideia, o Google Maps, hoje em dia, coloca a distância entre as duas cidades como equivalente a 175 km, com, no mínimo, 37h de caminhada. Imagine isso em 1840, em condições precárias, no meio da mata fechada, para uma criança de apenas dez anos de idade.

Com dezessete anos, Gama conheceu um jovem rapaz que lhe ensinou a ler e escrever, bem como matemática e alguns conhecimentos humanistas. Aos dezoito, começou a reunir provas de que sua situação de escravizado era completamente ilegal, tendo ciência de que seu pai e sua mãe gozavam de ampla liberdade.

Pediu que seu então senhor lhe desse a alforria. Sem sucesso.

Luiz Gama, então, fugiu para São Paulo, na posse das provas de que nascera livre, quando passou a servir às forças armadas até 1854. Em 1856, foi nomeado escrevente da Secretaria de Polícia, onde se aproximou de José Bonifácio e iniciou seus estudos de Direito por sua própria conta.

A literatura serviu para Luiz Gama como passaporte para os círculos sociais mais altos, tendo como sua obra mais proeminente de poesia “As Primeiras Trovas Burlescas”, de 1859.



A poesia Quem Sou Eu?, popularmente chamada de Bodarrada, talvez seja uma das mais conhecidas das Primeiras trovas burlescas. Nela, Gama traça um autorretrato:

“Faço versos, não vate, digo muito disparate. Mas só rendo obediência à virtude, à inteligência: eis aqui o Getulino…”.

O nome “Bodarrada” vem da palavra “bode”, que, na gíria da época significa mulato, negro. Assim, Luiz Gama indagava:

“Se negro sou, ou sou bode, pouco importa. O que isto pode?”

E terminava sua poesia dizendo:

“Haja paz, haja alegria, folgue e brinque a bodaria. Cesse, pois, a matinada, porque tudo é Bodarrada!”. [2]


Em 1868, Gama foi expulso da polícia por ser considerado baderneiro, por conta de sua atuação junto ao Partido Liberal à época. Foi nesse ínterim que se consolidou a figura do ativista liberal abolicionista. Enquanto se preparava juridicamente sozinho, por ter sido rejeitado pelos colegas e professores de faculdade, escrevia para inúmeros jornais: O Diabo Coxo, O Cabrião, O Polichinelo, O Coaraci e, mais tarde, O Radical Paulistano, entre outros. Sob pseudônimos, tecia grandes críticas à sociedade escravagista e à política do regime monárquico.

Diabo Coxo (dez/1864), fundado por Gama e Angelo Agostini.


Dez anos depois da primeira edição das Primeiras trovas burlescas, o jornalista liberal tinha a audácia de jogar os refletores, de condenar a incompetência, a ignorância e a corrupção dos juízes da província, insolência que lhe valeu tanto perseguições políticas quanto notoriedade. Quer pelo humor, quer pela seriedade, as palavras de Luiz Gama deviam ter um peso insuportável para os doutores, alvos prediletos do julgamento por parte do insolente ex-escravo, ex-analfabeto e autodidata sem diploma, o que lhe conferia uma certa superioridade e, por que não dizer, uma indisfarçada autoestima.”[3]

Embora mereçam nota, o servidor público, o poeta e o jornalista formam apenas uma introdução do legado de Luiz Gama, enquanto advogado – apesar de apenas ter sido reconhecido como tal pela OAB somente cento e trinta e três anos após sua morte. Até então, atuava como rábula.

Luiz Gama utilizava toda sua formação moral e jurídica como instrumento de luta nos tribunais, na imprensa, nos parlatórios e onde mais sua voz pudesse ecoar pela vinda da sonhada liberdade a todos os escravizados.

A Lei Feijó, de 1831, foi muito invocada por nosso herói. Ela é conhecida por ser uma das grandes responsáveis pelo surgimento da expressão “pra inglês ver”. Ela declarava “livres todos os escravos vindos de fôra do Imperio” e impunha “penas aos importadores dos mesmos escravos”. No entanto, como não havia intenção de materialização desse objetivo, o tráfico negreiro continuou sem qualquer restrição.

Mas Luiz Gama, munido de provas de que a pessoa havia aportado no país após essa data, vinda da África, conseguia nos tribunais sua alforria, em vitórias magníficas. Uma das histórias mais contundentes e elucidativas de como atuava em seu cotidiano é a que segue:

………..

Entrou-lhe um dia, pelo escritório adentro, um negro que desejava libertar-se e que ia entregar-lhe o montante do pecúlio necessário para que Gama tratasse de alforriá-lo. Enquanto o preto expunha o seu caso, aparece o senhor, que por sinal era amigo do advogado. Estava visivelmente inquieto, triste, abatido. E entrando em explicações, pergunta ao negro por que pretende abandoná-lo, a ele que sempre lhe dera trato e carinho iguais aos de seus filhos.

– Por que queres deixar-me, abandonando o cativeiro de um homem bom como tenho sido, arriscando-te a seres infeliz quando estiveres sozinho pela vida?

O escravo não respondia. Não tinha o que reclamar, pois o amo fora sempre, mais que humano, solícito e bondoso. O senhor não se conformava com a atitude do escravo:

– Por que me abandonas? Que é que te falta lá em casa? Dize… fala…

– Falta-lhe – interveio Luiz Gama, dando uma palmada no ombro do preto – falta-lhe o direito de ser infeliz onde, quando e como queira!

E libertou o negro.[4]

…………………

Nosso personagem histórico variava seus argumentos das mais diversas formas possíveis para defender seus clientes. Uma fala que entrou para a eternidade e levou o real significado da liberdade para Luiz Gama ocorreu quando defendia um negro escravizado que havia matado seu senhor: Todo escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata em legítima defesa.[5]

Foi com essas atuações que o ex-escravo conseguiu libertar mais de quinhentas pessoas escravizadas durante sua vida.

……………..

Em 24 de agosto de 1882, morre Luiz Gama. Conta-se que 10% da população de São Paulo esteve presente no seu velório e enterro. Infelizmente, apesar de seus grandes feitos, muito pouca informação sobre Luiz Gama é disseminada no Brasil.

Inscrito no livro dos heróis nacionais em 16 de janeiro de 2018, e apesar de ter sido nomeado o patrono da abolição da escravatura no Brasil na mesma data, não vemos uma minissérie, um filme, dificilmente uma peça em seu nome com sua vida.

Os livros de história nos colégios tratam o dia de hoje como uma data em que pessoas brancas concederam a liberdade a pessoas negras e apagam o fato de que personagens heroicos lutaram com suas vidas para que a sonhada liberdade chegasse a todos.

Em nossas mãos está a obra de Luiz Gama, uma pessoa que fez da sua vida um ensinamento, que dedicou a sua vida à causa abolicionista.

Nós temos o potencial de ser o seu legado, levando sua palavra adiante, não o deixando cair no esquecimento, em sua vivência e em sua mais forte essência. Temos o potencial de fazer isso ressignificando o 13 de maio, que deve ser entendido como uma data de lembranças das narrativas corretas, dos contos de quem passou por todas as etapas da vida se dedicando à liberdade e à igualdade de fato.

Um novo 13 de maio deve ser fundado no país, tendo como base a obra e o legado de Luiz Gonzaga Pinto da Gama.

domingo, 14 de junho de 2020

Búzios não tem plano “B”

Aviso afixado num loja da Turíbio de Farias, rua nobre do Centro de Búzios


Do ponto de vista sócio-cultural podemos dividir Búzios em duas eras: antes e após Brigitte Bardot (1964). A própria atriz em sua biografia lamenta que após sua estadia na pacata comunidade de pescadores Búzios tenha se tornado, em suas palavras, uma espécie de “Saint Tropez” dos trópicos.  Não se iludam, a atriz fez a comparação em tom depreciativo. 


Deixando os aspectos culturais para outra oportunidade, a economia buziana, antes baseada na pesca e na agricultura de subsistência viu surgir uma nova matriz econômica: o turismo. Nos anos que se passaram, a pesca e a agricultura sucumbiram ao novo modelo e uma nova geração de renda fez Búzios ir ao infinito e além.


No entanto, no decorrer das décadas a cidade prosperou, mas prosperou mal — se é possível esse paradoxo. Não foi pensado, tanto pela iniciativa privada quanto pelo poder público, outras alternativas que pudessem gerar novas matrizes econômicas, e dessa forma, nos tornamos refém de uma industria próspera, porém, exposta à crises econômicas; as mais recentes na Argentina e no Chile, nossos principais mercados. Não bastasse isso, temos outro desafio diante de nós: a pandemia. Sob um ângulo local. a covid-19 levou a economia buziana à lona, afetou todos os segmentos possíveis e como no “Boxe” abriu contagem: 1,2,3,4,5… E se chegarmos a 10?  


"Não é momento para mensagens motivacionais postadas no facebook diariamente que servem somente para adormecer o senso crítico do eleitor"


Para sintetizar, é necessário uma nova revolução econômica em Búzios. Os candidatos a prefeito precisam tratar esse tema como prioridade e buscarem alternativas para gerar uma nova onda na economia buziana. O eleitor, o ator fundamental nesse processo, precisa cobrar dos pré-candidatos, planos concretos para Búzios nos próximos anos. Não é momento para mensagens motivacionais postadas no facebook diariamente que servem somente para adormecer o senso crítico do eleitor, é preciso mais. É urgente apresentar um plano para a cidade e especialmente mostrar as pessoas que estão em torno dessa ideia.



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Facebook: sua vida é um livro aberto


A mídia social é uma janela aberta no quarto escuro do anonimato 




Observem como o facebook faz jus a seu nome em inglês, que em tradução livre seria mais ou menos como "livro com a sua cara" ou algo assim. 

Mas o sentido real e a que se propõe essa mídia social, a tradução caberia melhor se fosse algo como "livro aberto sobre você mesmo", ou "sua vida é um livro aberto". – Talvez este último seria o melhor termo. 

O livro "Mentes Perigosas" de Ana Beatriz Barbosa Silva - chato pra caramba - descreve o perfil dos psicopatas e sua natureza destruidora. Relata o comportamento oportunista dos psicopatas e suas estratégias para se adaptarem da melhor maneira possível ao perfil de suas vítimas. Na concepção desses assassinos sociais, o caminho mais curto para chegarem até suas presas e alcançar seus objetivos destruidores é pela via da afinidade. Saber o que a pessoa gosta ou faz. Saber quem são seus amigos, o que pensa sobre a vida, quem são seus familiares, seus interesses e aí darem o "bote".



"É como um vício que precisa ser alimentado constantemente com doses de auto-afirmação cada vez mais intensas"
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O Facebook é uma ferramenta sedutora, pois pela primeira vez na história da comunicação, todos são o foco, a mídia e o emissor de informação. Com o Facebook experimentamos muito mais que os 15 minutos de fama prometidos no filme “15 minutos". Se quisermos, estaremos 24 horas por dia expondo o que somos, queremos ou fazemos, dando de "prato feito" para quem quiser ou se interessar em saber, um perfil completo sobre nós mesmos. 



A sedução de estar no foco é irresistível e muitas vezes maior que o queremos transmitir ou informar. Para alguns, essas mídias revigoram suas personalidades, inflam egos e as mantém na pauta social. É como um vício que precisa ser alimentado constantemente com doses de auto-afirmação cada vez mais intensas. - Uma janela aberta no outrora quarto escuro do anonimato. 


Deixando as mentes perigosas de lado, até onde convém expor aspectos íntimos de nossas vidas a troco de algumas curtidas ou comentários? Qual é o melhor uso para as mídias sociais? Profissional ou o pessoal? Se for pessoal, que tipo de informação convém disponibilizar? E por último, quem é o foco, nós, ou o que queremos dizer ou transmitir? 

Uma coisa é certa. Estamos "engatinhando" no uso dessas novas mídias; o nível e a intensidade das informações que publicamos ainda não pode ser mensurado em seus efeitos, e por estarmos todos interligados nessa rede, só saberemos o preço de nossa exposição no futuro.


A sexualidade feminina


Sobre foto: portal IG

"as mulheres são mais sensíveis, mais impressionáveis, extremosas, em tudo, dadas as coisas de pouca ou nenhuma consideração, mais eloqüentes, mais sujeitas a serem vencidas, graciosas em todos os seus atos; finalmente, é no sistema nervoso que reside toda a vida da mulher"
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Marcos Sodré - Professor de História
É curioso aperceber-se de que a História geralmente segue em “ritmos” – como diria um grande mestre – que muitas vezes desenham contornos ou traços muito semelhantes em épocas extremamente distintas; como se a “história se repetisse”. Não se trata, no entanto, de fatos históricos, mas de mentalidades, hábitos, e conceitos que sofrem marchas e contramarchas; ora sendo combatidos, ora sendo estimulados.

No caso de que trato – a sexualidade feminina – isto torna-se nítido no momento em que voltamos nossos olhos ao passado, especificamente até a primeira metade século XIX, quando a mulher era tida como gênero mais frágil, inferior e essencialmente maternal; teoria esta endossada por pensadores do século anterior, como Diderot, D'Alembert, Roussel, Cabanis. Além disso, o prazer sexual estava estritamente desvinculado do casamento e do ato reprodutivo, principalmente pelos homens, que procuravam satisfazer seus anseios “carnais” fora do seio conjugal, relegando a esposa o mero papel de rainha do lar – enquanto ele é senhor – e de mãe, sua principal e mais nobre função. Algumas teses defendiam que a natureza masculina era tipicamente racional, enquanto que a feminina era baseada em emoções. Firmino Junior, em sua tese de 1840, diz que "as mulheres são mais sensíveis, mais impressionáveis, extremosas, em tudo, dadas as coisas de pouca ou nenhuma consideração, mais eloqüentes, mais sujeitas a serem vencidas, graciosas em todos os seus atos; finalmente, é no sistema nervoso que reside toda a vida da mulher". No entanto, a segunda metade deste século reservou algumas mudanças que alteraram profundamente tais estruturas de pensamento.

Acentuado avanço tecnológico, mudanças no quadro socioeconômico, político e cultural, no mercado de trabalho, no estilo de vida e o surgimento de um ideário feminista colocaram em debate a posição social ocupada pela mulher, o papel dos gêneros e suas reais diferenças. Entretanto, qualquer manifestação feminista contrária ao pensamento vigente era tida como um atentado à ordem burguesa, e essas mulheres eram classificadas como "espécies híbridas", "degeneradas", "vampiras" ou mesmo "assassinas". Entretanto, este processo não pôde ser estagnado e as mulheres alcançaram espaços antes inimagináveis.

A mulher ultrapassou os limites da casa, da família, das tradições, e no século XX a mulher perde o estigma de “mulher-Bela Adormecida”, despertando para sua própria sexualidade. Não se sujeita mais a casamentos arranjados, e se o aceita, jamais será apenas por conveniência. O amor deve estar presente. O casamento passa a ter relação direta com o amor e o amor com o ato sexual. Uma conquista feminina.

Hoje, com a tecnologia ainda mais avançada, com as mulheres ocupando cada vez mais espaços dantes masculinos, com os métodos contraceptivos, a democratização das informações e tudo mais quanto o advento da modernidade nos faz viver, a mulher mais uma vez usa de seu direito e volta a separar o que ela mesma juntou. Quem disse ser necessário amor para se fazer sexo? É razoavelmente possível separar amor e sexo, ou amor e casamento. Se há casamentos por conveniência, este processo não é mais encabeçado pelos pais, mas pela própria mulher que o faz conveniente para si. A mulher assume o espaço masculino não só no mercado de trabalho ou na sociedade, mas também em sua própria mentalidade masculina, ou machista, enfatizando seu direito sobre o próprio corpo e sentimento, tendo aprendido a maestria de separar desejo e amor.

São os “ritmos” meu caro. São os “ritmos”.


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Papa Bento XVI: renunciar não é bom para ninguém


"Apesar das discordâncias em relação aos dogmas, doutrinas e pensamentos, a igreja católica é uma espécie de torre de vigia que protege, ainda que involuntariamente, todas as outras pequenas."


Foto: Jornal O Globo


Não é normal e até certo ponto aceitável que um Papa renuncie ao cargo. Para ter uma ideia da importância do líder principal da igreja Católica, seu corpo físico não lhe pertence, é considerado propriedade da igreja, um corpo que pertence a Cristo e considerado irrenunciável. Por isso a desistência desse ministério é uma decisão tão traumática para a comunidade católica.

A Igreja Católica, denominação principal da fé cristã e de onde partiram, ou saíram  todos os outros segmentos cristãos que conhecemos hoje - seja católico ou protestante - é o principal pilar institucional dessa fé. A igreja, por ser uma das instituições religiosas mais organizadas e antigas da humanidade, tem uma posição importante, participativa e respeitável diante das decisões que determinam o formato do que chamamos de mundo civilizado.

Diante de temas tão polêmicos, como aborto e pesquisas de células tronco, e talvez o mais nervoso e controverso que trata das relações que envolvem o homossexualismo, a igreja vem tentando manter sua posição original avaliando temas contemporâneos com parâmetros ortodoxos  e com isso ‘desagradando’ uma sociedade moderna e que não enxerga mais a igreja com a mesma importância que as gerações anteriores. Soma-se a isso os constantes escândalos sexuais que envolvem sacerdotes e vamos ter um cenário que beira a insatisfação e a dispensa dessa instituição nas decisões da sociedade.

Para as outras denominações cristãs, especialmente para o protestantismo, esse é um péssimo cenário, pois o enfraquecimento da igreja católica como instituição religiosa e organizada fragiliza essas denominações que na grande maioria nem estrutura organizacional tem. 

Por ter sido gerado dentro da igreja católica num movimento de reforma, essa filosofia perdura dentro das instituições evangélicas e faz com que reformas sejam feitas dentro de reformas, proliferando seitas e subdenominações, fragmentado a igreja evangélica e enfraquecendo essa instituição, que além de não ocupar a mesma importância na sociedade que a igreja católica ainda ocupa, vem se desgastando por outros motivos.

A "nova" sociedade já começa a se desprender do conceito religioso pregado por essas instituições diante desse quadro de descrédito que se esboça. A tendência é que todos os temas polêmicos que estavam na gaveta guardados e trancados a sete chaves pela igreja venha à tona com uma sociedade muito mais suscetível e "livre" de dogmas para avaliar e aceitar.

Apesar das discordâncias em relação aos dogmas, doutrinas e pensamentos, a igreja católica é uma espécie de torre de vigia que protege, ainda que involuntariamente, todas as outras pequenas. A queda ou o enfraquecimento dessa instituição representa preocupação para todas as outras. A igreja católica, se não quiserem considerá-la como uma mãe, considerem  pelo menos como uma irmã mais velha, aquela que protege, ainda que involuntariamente, suas irmãs mais jovens. 


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Intelectualidade Ignorante

"Há justiça em os alemães de hoje serem condenados por conta do Holocausto? Há justiça em os cristãos de hoje serem condenados por conta das cruzadas e da inquisição?"


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Por Marcos Sodré*
Algumas pessoas acreditam piamente que assumir uma posição comunista, ateísta ou de anti-religiosidade lhes atribui um “status” de intelectualidade que os coloca alguns graus acima dos simples mortais que, para elas, de maneira cega, iludida e ignorante acreditam, de alguma forma, nas instituições ou exercitam sua fé, acreditando na existência de um Deus invisível e frequentando templos religiosos, onde "são hipnotizados por seus líderes e obrigados a dar dízimos e ofertas, cujo destino é o conforto e o deleite destes líderes sem caráter e escrúpulos".

Essas mesmas pessoas se dizem sem preconceitos. Elas apenas "exercem seu direito, e mais, seu dever de trazer à luz aquilo que se encontra no submundo desses clãs religiosos". Afinal, eles são os iluminados, os filhos das luzes, frutos do iluminismo. 

Muitos deles já frequentaram os mesmos bancos da ignorância que hoje são ocupados por outros enganados. Mas isso não os condena. O tempo da ignorância não se pode levar em conta.

O estudo da História é muito revelador. Nele nós podemos constatar a forma “bárbara” com que os nativos das Américas foram dizimados, como os negros africanos foram subjugados e desumanizados, a forma cruel como os nazistas planejaram e executaram o holocausto e como, de forma não menos cruel, cristãos perseguiram e mataram aqueles que ousaram opor-se às suas crenças e dogmas. No entanto, décadas e séculos se passaram desde que tudo isso aconteceu, apesar de saber que, em determinados lugares, tais atos permaneçam sendo praticados por uma minoria, aí sim, ignorante e que deve ser denunciada.

O que me move a escrever este texto é perceber que estes intelectuais acabam “pecando” num anacronismo e num julgamento de valor que vai de contra às suas teses de pluralidade, tolerância e anti-preconceito. Ora, há justiça em um branco ser condenado, hoje, pelo fato de os brancos do passado terem escravizado os negros africanos? Há justiça em os alemães de hoje serem condenados por conta do Holocausto? Há justiça em os cristãos de hoje serem condenados por conta das cruzadas e da inquisição? Há justiça em os governantes de hoje serem julgados por conta da Ditadura?

Queridos, nem todo branco é preconceituoso, nem todo negro é (pai de) santo, nem todo político é ladrão, nem todo eleitor é honesto, nem todo pastor/padre/babalorixá/rabino é safado, nem todo sábio é conhecedor da verdade. Aliás, os intelectuais sabem bem da vulnerabilidade desta palavra: “VERDADE”.

Cada um vive a sua verdade. A verdade daquilo que escolheu acreditar, seja por meio de métodos científicos, seja pelos métodos inexplicáveis da fé. Talvez até nisso estes poucos intelectuais estejam pecando, uma vez que dos diversos significados atribuídos à palavra “intelectual” está: “que ou quem tem gosto predominante pelas coisas do espírito”.


*Marcos Sodré é professor de História

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Holocausto Santa Maria

Foto: A gazeta do povo


Não há outro tom para escrever qualquer coisa sobre essa tragédia senão com pesar e tristeza. Como dizem: "não há dor maior que sepultar um filho". E foi isso que centenas de pais e mães fizeram num domingo que tinha tudo para ser mais um dia em família.

Ainda que os envolvidos tenham agido sem intenção de causar dolo. Que a prefeitura tenha se omitido - ou pior - que tenha sido, através de algum agente público, corrompida na tarefa de fiscalizar aquele estabelecimento.

Ainda que regras tão básicas de segurança ou de bom senso tenham sido ignoradas irresponsavelmente pelos proprietários e pelos músicos daquela banda. Que os mesmos bombeiros que salvaram vidas no dia da tragédia possam ter deixado de lado uma simples vistoria que evitaria aquele terror, nada pode justificar um julgamento brando para essas pessoas.

Esse é o momento  da justiça ser feita com rigor máximo. Agir com força igual contrária a dor  causada a tantas famílias nesse fim de semana. Ainda que Santa Maria passe a ser conhecida como a cidade do holocausto brasileiro, que isso sirva para uma reflexão profunda sobre o valor da vida e de sua perda. Do lucro a qualquer custo, da omissão e do jeitinho brasileiro - às vezes visto com simpatia - mas que mostrou sua face mais terrível nesse episódio lamentável.

Aguardemos a justiça. E que ela nem tarde, nem falhe.



domingo, 27 de janeiro de 2013

O maior incêndio com vítimas do Brasil teve uma elefanta como heroína


Capa do jornal A Tribuna da época com a matéria sobre a tragédia. Foto: arquivo



Há 50 anos Niterói vivia seu pior pesadelo, o Brasil vivia seu maior incêndio com vítimas e o setor de entretenimento do país vivia sua maior tragédia: o incêndio do Gran Circo Norte-Americano, com 503 mortos, das quais 70% delas eram crianças. A tragédia foi a primeira e a maior das três grandes catástrofes que aconteceram na cidade nos últimos 50 anos

A elefanta heroína
Uma elefante fêmea que estava no picadeiro se tornou, anos depois, uma das heroínas do incêndio. Pronta para entrar em cena, Semba disparou em uma corrida desesperada quando um pedaço de lona queimada lhe caiu sobre o couro. Ao atravessar a lona, o animal abriu caminho e acabou salvando inúmeras pessoas – mas também fez vítimas em seu trajeto.  Nos jornais da época, o feito de Semba ganhou destaque: “Com a tromba, atirou a distância dois assistentes, que conseguiram salvar-se. As feras escaparam, embora nenhuma delas tenha conseguido abandonar as jaulas. Só alguns elefantes saíram a correr, sendo imediatamente dominados pelos domadores”, escreveu o JB.

Fonte: Blog Limiar e Transformação

domingo, 20 de janeiro de 2013

Nuvens - Por Oscar Niemeyer


Um artista é artista sempre. Quando desenha, cantarola, projeta ou escreve, a sensibilidade e a poesia estarão sempre presentes. Com Niemeyer acontece assim também. Talvez nem todos sabem, mas o arquiteto também escrevia. 

Veja abaixo a sensibilidade desse grande gênio num texto que descreve com poesia as formas e nuances que as nuvens produzem.


Por Oscar Niemeyer

Sempre que viajava de carro para Brasília minha distração era olhar as nuvens do céu. Quantas coisas inesperadas elas sugerem! Às vezes são catedrais enormes e misteriosas, as catedrais de Exupéry com certeza; outras vezes, guerreiros terríveis, carros romanos a cavalgarem pelos ares; outras ainda, monstros desconhecidos a correrem pelos ventos em louca disparada e, mais freqüentemente porque sempre as procurava, lindas e vaporosas mulheres recostadas nas nuvens, a sorrirem para mim dos espaços infinitos.

Mas logo tudo se transformava: as catedrais se desvaneciam em branco nevoeiro, os guerreiros viravam préstitos carnavalescos intermináveis; os monstros se escondiam em escuras cavernas, para surgirem adiante mais furiosos ainda, e as mulheres iam se esgarçando, se estendendo, transformadas em pássaros ou negras serpentes.

Muitas vezes pensei fotografar tudo isso, tão exatas eram as figuras que apareciam. Nunca o fiz.
Mas, sempre que viajo, olhar para as nuvens é a minha distração predileta, curioso, procurando decifrá-las como se estivesse em busca de uma boa e esperada mensagem. Naquele dia, porém, a visão foi mais surpreendente.

Era uma bela mulher, rosada como uma figura de Renoir. O rosto oval, os seios fartos, o ventre liso, e as pernas longas a se entrelaçarem nas nuvens brancas do céu.

E fiquei a olhá-la embevecido, com medo de que se diluísse de repente. Mas os ventos daquela tarde de verão me deviam estar ouvindo e durante muito tempo ela ali ficou a me olhar de longe, como a convidar-me para subir e com ela, entre as nuvens, brincar um pouco.

Mas o que temia tinha de acontecer. E pouco a pouco a minha namorada foi se diluindo, os braços se alongando com desespero, os seios a voarem como se destacando do corpo, as longas pernas se contorcendo em espiral, como se dali ela não quisesse sair. Só os olhos continuavam a me fitar, cada vez maiores, cheios de espanto e tristeza, quando uma nuvem maior, densa e negra, a levou para longe de mim.

E continuei a segui-la, inquieto, vendo-a lutar entre as nuvens que a envolviam, fustigada pela fúria dos ventos que a dilaceravam impiedosamente.

E senti como aquela metamorfose perversa se assemelhava ao nosso próprio destino, obrigados a nascer, crescer, lutar, morrer e desaparecer para sempre, como ocorria com aquela bela figura de mulher.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

As mulheres e a política

Onde estão os presidentes  dos partidos trabalhando para identificar as mulheres atuantes e com potencial para legislar em favor da comunidade?




Por Camila Viana

De fato, passamos a pouco por um período eleitoral. E como expectadora  atuante que sou, não posso deixar de fazer essa análise. As mulheres estão perdendo nesse quesito para os homens. A começar pelo número baixo de mulheres que disputou vagas no legislativo e no executivo. Na verdade elas ainda são mais expressivas  por conta de uma "cota" de mulheres candidatas em cada partido. 

Cada sigla deve contar com o mínimo de 30% de mulheres em suas nominatas. O que em uma conta rápida, para ilustrar, diria que em um grupo de 10 candidatos, 3 precisam ser mulheres. Pouco, mas já é um avanço. Geralmente víamos as nominatas com nenhuma mulher candidata. Na questão numérica avançamos um pouco sim, mas o que mais chama a atenção, é que na maioria das vezes, essas mulheres apenas compõem a legenda, sem nenhuma expressão política ou luta pela mulher. Apenas são números. 

Precisamos avançar além dos números. E isso só acontecerá quando os partidos deixarem de ser uma aventura e um verdadeiro troca-troca de "donos". Formar propostas e consolidar um perfil depende de muito trabalho, mas o trabalho que acontece antes do período eleitoral. Acontece nas lutas e bandeiras levantadas durante uma vida de militância e ideias concretas. E não só ideias, consolidação e trabalho para colocá-las em prática.



Penso nas dificuldades em conciliar a vida afetiva, o cuidado com filhos e a feminilidade, com as tarefas de estar em uma “posição masculina” ainda mais no caso da política, dominada pelos homens.



Um partido forte é aquele que mantém seu trabalho quando as eleições acabam. Uma nominata forte é aquela que não perde o contato com seus candidatos quando finda o pleito eleitoral. Mas que mantém seus encontros mensais, suas propostas sendo criadas e suas atividades em pleno funcionamento. É nesse ponto que muitas mulheres com propostas e ações positivas e que agregam não conseguem manter suas propostas. Muito menos cria-las.


As demandas da mulher não aparecem de quatro em quatro anos. Elas estão aí todos os dias, nas ruas, nas escolas, nas creches, nos lares, nos empregos, nos relacionamentos. São muitas e precisam de duro trabalho para serem analisadas e em cima das análises, surgirem propostas. Essa engrenagem precisa estar muito bem azeitada e com todas as suas peças unidas para que o saldo seja positivo.


Diante dessas questões o que me vem à cabeça é: Onde estão os diretórios dos partidos, organizados e funcionando em favor das mulheres e das futuras candidatas ao empoderamento? Onde estão os presidentes  dos partidos trabalhando para identificar as mulheres atuantes e com potencial para legislar em favor da comunidade? Onde estão? Talvez existam, mas estão muito aquém do potencial e da força que poderia estar fazendo a diferença hoje em Búzios, e em todo país.



Quando Che Guevara disse a famosa frase: "Há que endurecer mas sem jamais perder a ternura", eu penso que ele devia estar vindo de uma longa conversa com uma mulher. 



Porque ao ver uma mulher no poder, penso sempre a mesma coisa. Como deve ter sido difícil chegar até lá. Enfrentar uma sociedade machista e discriminadora, que tende a achar que "lugar de mulher não  é na política". Penso nas dificuldades em conciliar a vida afetiva, o cuidado com filhos e a feminilidade, com as tarefas de estar em uma “posição masculina” ainda mais no caso da política, dominada pelos homens.


Eu desejo muito que tenha sido 2012 o último ano em que olhamos os diretórios da mulher nascendo e durando apenas três meses. Quero e espero ver nesses próximos quatro anos mulheres engajadas e unidas para discutir as questões da mulher, atuantes e reivindicando atenção para essas que são responsáveis pelo moldar de uma sociedade, representada no caráter dos pequenos. Quando Che Guevara disse a famosa frase: "Há que endurecer mas sem jamais perder a ternura", eu penso que ele devia estar vindo de uma longa conversa com uma mulher. 


E por fim, meus cumprimentos às legisladoras que já passaram pela Câmara de Búzios. Não importa o resultado do trabalho, estar nesse local já é uma grande conquista. E as que pretendem uma vaga, a disputa é desigual, mas o trabalho e a garra feminina são suas armas.

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sábado, 12 de janeiro de 2013

O machismo imperante


"Ah, vai lavar roupa e cuidar da casa". 





Por Camila Viana - Jornalista

O machismo faz parte de nossa sociedade. Não há como fugir dele. Nos encontra em cada esquina, em cada conversa, em cada postagem de mídia social, em cada fala verborrágica.

O triste não é saber que esse machismo é real e sim perceber que as pessoas costumam banalizar essas atitudes e acham "normal" este tipo de comentário e ainda ridicularizam tentativas de fazer da mulher parte ativa na sociedade.

Esse tipo de fala e de comportamento deve ser primeiramente repudiado, visto como absurdo. Ou por acaso alguém acha comum dizer a um homem: "Ah, vai lavar roupa e cuidar da casa". Nunca. Isso é um comportamento típico machista.

Pior, achar que uma mulher dando opinião, decidindo e fazendo diferença na sociedade deveria na verdade é estar cuidando dos afazeres da casa, é de uma estupidez tão grande que não merece qualquer comentário. Creio que uma pessoa assim não deve ser um bom filho, muito menos um bom marido.


"Sei que muitas mulheres vão se identificar com o que escrevo, pois, alguns homens nasceram sem a capacidade de reconhecer a importância da mulher na sociedade." 


Na verdade acredito que uma pessoa com esse tipo de pensamento muito menos sabe o valor do trabalho de uma mulher nos afazeres domésticos. Que também são muitos e muito importantes para o bom andamento de uma família e do sucesso do companheiro. Ora, se ter sucesso e vencer na vida é uma tarefa difícil, quanto mais sem estrutura familiar que lhe proporcione essa opção.

Sei que muitas mulheres vão se identificar com o que escrevo, pois, alguns homens nasceram sem a capacidade de reconhecer a importância da mulher na sociedade. Não importa se ela é uma advogada, juiza, presidenta, professora, delegada, ou uma simples dona de casa. O papel da mulher é fundamental na sociedade. Como geradora de uma sociedade e do nascimento de homens novos,para um tempo novo.

Era muito comum acostumar apenas as meninas às tarefas de casa, e aos meninos os consertos, os reparos e não raramente, os desmandos. Já desde muito meninos, acostumando-se a "colocar a mulher em seu lugar". Mas os tempos são outros e cabe a nós mães de meninos, a tarefa de ensina-los a serem homens capazes de entender que as tarefas são divididas, e que as mulheres tem potencial para além do que se popularizou como "coisa de mulher".


"O meu maior desejo é nunca mais ver um homem diminuindo uma mulher, apenas por medo do novo, ou porque ela está em uma “posição masculina”


Eu crio meus filhos assim, e já ouvi um comentário dizendo, isso não é coisa de homem. O que não é coisa de homem? Ser educado, respeitador, limpo e organizado? Ser um homem capaz de poupar a mulher de lavar a roupa suja, porque naquele dia ela precisava se dedicar á uma tarefa de seu trabalho? E ainda lava-la ? Sem que isso seja para ele um peso? Eu quero homens assim na sociedade e já tenho orgulho dos meus filhos em algumas falas, que já mostram que são homens novos para uma nova sociedade.

Não quero ser líder, nem polítca, nem chefe de ninguém, o meu maior desejo é nunca mais ver um homem diminuindo uma mulher, apenas por medo do novo, ou porque ela está em uma “posição masculina”. Não é preciso ser líder de muitos para mudar o mundo. Alguém já viu aquele filme corrente do bem? Um só garoto com boa vontade foi capaz de mudar todo um grupo de pessoas á sua volta. Que seja assim.

E viva as mulheres, anônimas ou não, que desejam a mudança desta sociedade machista e preconceituosa.
Chegaremos lá, com certeza, com docilidade, mas chegaremos lá.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O lado ruim da coisa


"Mais vale um post atrasado, mas que tenha sido apurado, dado credito a fonte e que responda, na medida do possível, as perguntas de um lead, que um post "exclusivo" que informe pela metade e que existe mais para saciar a vaidade do "jornalista" que para por em foco a verdadeira estrela, a notícia."



Por  Victor Viana - Jornalista

Trabalho profissionalmente com a internet há seis anos. Sou um entusiasta da blogosfera e Mídias Sociais e do poder da informação na mão de todos. Mas é preocupante quando o usuário comum das novas mídias se empolga e começa a querer para si o status de jornalista, talvez acreditando haver algum glamour, sem saber que é uma profissão como qualquer outra, um ganha pão cansativo e que em muitos momentos comporta horas de trabalho tedioso.  Sem contar que envolve muita responsabilidade e  necessidade de estudo e pesquisa constante. 

Alguém liga e avisa o que viu; alguém envia uma mensagem em Box. Ou mesmo você passa de carro; van, ônibus, moto, táxi...e vê dois carros batidos e uma criança no chão. Você em segundos - certo de ter um furo - posta no Twitter ou qualquer Facebook da vida: " Uma criança atropelada no bairro do Catatau". Você noticiou antes dos jornais! Antes do rádio! Da TV! Você noticiou antes dos jornalistas da web! 


"Um dia entrevistando um radialista me disse que para ser jornalista era preciso apenas ter cultura, eu completei: "Cultura e Técnica"."


Quantas mães leram seu post e entraram em desespero por não saberem se era seu filho ou filha?  O que faltou no "furo"? O quê, quem, quando, onde e como, a estrutura básica de um LEAD. Um dia entrevistando um radialista me disse que para ser jornalista era preciso apenas ter cultura, eu completei: "Cultura e Técnica".  Mais vale um post atrasado, mas que tenha sido apurado, dado credito a fonte e que responda, na medida do possível, as perguntas de um lead, que um post "exclusivo" que informe pela metade e que existe mais para saciar a vaidade do "jornalista" que para por em foco a verdadeira estrela, a notícia. 


Victor Viana:  @VianaBúzios - Jornalista, Assessor de Imprensa, Escritor e Problogger. Leia mais textos de Victor Viana em WWW.curingadebuzios.blogspot.com

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Papai Noel nos trópicos



Acho uma coisa tão descabida o papai noel ser papai noel. É a maior prova do quanto somos colonizados culturalmente. Um personagem que vem de uma cultura nórdica, do frio do polo norte, que só pela vestimenta já afronta o bom senso de quem vive num país tropical e quente.

A força comercial desse personagem é tão forte que penetrou os sentimentos de gerações a ponto de tratá-lo como uma figura paterna que, em nome da fantasia e das fábulas, é defendido como um símbolo do amor e do espírito natalino.

domingo, 23 de dezembro de 2012

"Infelizmente eu não existo." - Afirma Papai Noel



Lógico que Cristo não nasceu dia 25 de Dezembro. E daí? 

Roma fez com esta data, o que qualquer regime com o mínimo de democracia faria nos dias de hoje. Agradar a vontade popular e conciliar interesses políticos.

E foi isso que aconteceu. Um império "pluralista" que concentrava povos, costumes e religiões diversas, que queria acima de tudo, o controle sobre o cidadão romano, tentava na medida do possível equilibrar o estado de coisas daquele período.

Com o crescimento rápido do cristianismo, mas ainda com resquícios fragmentados e importantes de outras religiões e culturas, não deixou outra opção para Roma, senão adequar datas e conciliar interesses religiosos ao novo regime religioso em crescimento.

Foi assim com o natal. Uma festa anteriormente pagã, dedicada ao deus Mitra, divindade venerada pelos persas (Irã atual) que era comemorada no dia 25 de dezembro no solstício de inverno ( hemisfério norte) o dia mais curto do ano.

Mas olhando por outro lado, a ação política de Roma desbancou a festa pagã e marcou para sempre a data do nascimento de Cristo, que deve ir além de datas ou períodos, devendo ser festejada pelo valor simbólico a ela atribuída: o nascimento do salvador

Quanto ao Papai Noel... isso é outra história.