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sexta-feira, 25 de junho de 2021

Museu da Identidade buziana finalmente aparece no horizonte



Secretário de Turismo, Cultura e Patrimônio Histórico, Luiz Romano Lorenzi anuncia em live o tão sonhado Museu buziano. E vai além: anuncia o  interesse em constituir equipe multidisciplinar composta por antropólogos e historiadores para composição do museu: "Estamos na reta final para em breve, poder apresentar para a comunidade o projeto do Museu da Identidade Buziana" disse Romano.

Vale destacar a importância de ter uma equipe técnica, como foi citada pelo secretário. A montagem de um museu não se resume a apenas pedir as pessoas que levem objetos antigos, mas envolve uma série de requisitos técnicos para que o projeto tenha solidez. 

Video abaixo

 



domingo, 2 de maio de 2021

Búzios padece na desinformação



Não vou falar do teor do comunicado oficial da prefeitura, nem da forma, nem do conteúdo político presente no texto, e aí está o ovo da serpente buziana que vai nos picar no futuro; que  continuamente contamina e desfaz a institucionalidade obrigatória nos atos públicos e oficiais. 

O caso aqui é outro, e grave! Deve ser repudiado e denunciado pelo cidadão, sob pena de, no futuro, ficarmos imersos no lodo da desinformação que só interessa a quem não quer o cidadão informado. 

Deixando de lado toda confusão política da última semana em torno da eleição da mesa diretora da Câmara de vereadores, o que destaco aqui é a necessidade de termos meios de comunicação que nos dê o mínimo de garantia a respeito dos fatos da cidade. Obvio que a informação de democratizou com as redes sociais, mas ao mesmo tempo a fragilidade da informação publicada nos meios digitais não resiste a ajustes ou edições.

Veja o exemplo na imagem do post. A prefeitura, através de sua página oficial, que tem fé pública como órgão governamental (pelo menos deveria ter) publicou texto de conteúdo político no sábado (1/5) para criar uma narrativa na qual o bloco dos vereadores, Raphael Braga, Gugu de Nair, Aurélio e Niltinho estaria “boicotando” o Vale Card, projeto do executivo. A narrativa, frágil e mal construída, não se manteve de pé e em menos de 24 horas obrigou a comunicação oficial a “editar” o texto do post publicado.

O momento exige que se preserve a democracia e as instituições. A transparência nos atos públicos, especialmente na informação, deve ser a prioridade dos governantes que foram eleitos democraticamente. Por outro lado, para o bom equilíbrio da democracia, é urgente um jornal independente na cidade, de preferência impresso, que circule livremente de mão em mão, livre de algoritmos e de quem não gosta de transparência.

domingo, 7 de março de 2021

Incrível e inquietante: a partir de fotos app cria filmes inéditos de antigos buzianos

 


Myheritage, site que permite construir árvores genealógicas, oferece serviço para converter fotos antigas em clips de filmes. Na versão gratuita só é possível com quatro imagens. O resultado é impressionante, mas traz um certo desconforto ao ver um familiar já falecido ganhar movimento na fotografia.
Veja os vídeos abaixo com alguns exemplos. Esse recurso seria muito interessante num Centro de Memória buziano.



Zalico, pescadora antiga já falecida.

José Martins, foi casado com minha avó Lurdeca

Dona Irene, matriarca buziana. Mãe de Edineia, da loja Foca, Nair, já falecida, de Dona Júlia, mnae de Bebeto Karolla e de Lurdeca, sua filha mais velha.

Tuim, personagem importante da história bziana

Mineli, pescador antigo, patriarca de família tradicional de Búzios. Pai de Izabel da Escuna, avô de Alexandre Verdade, ex-secretário de Turismo e de Angelo Verdade.

Dona Rute, matriarca de Família importante de Búzios. Mãe de Zezinho, pescador conhecido falecido recentemente

quinta-feira, 4 de março de 2021

Deu no O Dia: Búzios terá Museu da identidade Buziana "Amém"

Tenho fé no trabalho de Romano como secretário de cultura e acredito que o assunto da matéria reflete o seu desejo verdadeiro. Registro aqui no Blog a notícia com esperança que o fato se concretize. 

Leia a matéria abaixo:





Búzios - Representantes da Secretaria de Turismo e de Cultura e Patrimônio Histórico do município de Armação dos Búzios estiveram na última semana visitando a Fundação Cultura Barra Mansa, para conhecer o Centro de Documentação e Memória Fazenda da Posse.


Planejando o futuro Museu da Identidade Buziana, a equipe buscou aprofundar mais conhecimento sobre conservação de objetos, higienização de documentos históricos, processos de escovar, limpar e fotografar as páginas dos documentos e formas de condicionamentos de itens arqueológicos. Com isso, o Presidente da Fundação Cultura de Barra Mansa, Marcelo Bravo fez questão de levar todos os representantes para conhecer a reserva técnica, o acervo de obras raras e explicou como a Fazenda da Posse utiliza e capta recursos por meio das atividades de patrimônio e para a manutenção das unidades.


O secretário Romano Lorenzi, disse que a equipe buziana trabalha incansavelmente para dar início ao projeto do futuro Museu da Identidade Buziana: 'Búzios é uma cidade jovem e recém emancipada, temos 26 anos, mas com histórias desde a chegada dos portugueses na região de Cabo Frio com presença de povos indígenas, Caiçaras, pescadores, povos sambaquianos e comunidades quilombolas. O nosso prédio mais antigo é a igreja de Sant’Anna, de 1740, e no entorno do prédio existe todo um trabalho arqueológico para ser desenvolvido. Por isso a gente veio aqui para estreitar essa relação e entender como é esse processo de cuidar dessa documentação. Barra Mansa faz um trabalho muito sério e de referência. Por isso a gente quer pegar o que tem de melhor na nossa região. Estamos hoje em Barra Mansa para poder entender a importância desse resgate da memória do povo',  disse Romano.


Atualmente, o Centro de Documentação e Memória Fazenda da Posse conta com 15 mil itens, a maioria datado do século XIX, entre documentos e itens arqueológicos. O local fica no bairro Barbará, Barra Mansa-RJ.

sábado, 9 de janeiro de 2021

Tempos extraordinários exigem medidas extraordinárias

O aviso relembra o pesadelo de 2020



Comercios fechados, desemprego, falta do auxílio emergencial do governo federal, aumento de casos de covid, falta de leitos: essa é uma realidade provável para os próximos meses em cidades pequenas como Buzios; podem ser os meses das vacas magras, se preferirem a metáfora bíblica de José do Egito.

Tempos extraordinários exigem medidas extraordinárias.

domingo, 4 de outubro de 2020

Búzios é o exemplo vivo, ou morto, da ocupação que Ricardo Salles planeja



Resorts sobre os manguezais, o lucro rápido de uma meia dúzia em troca do prejuízo eterno de milhões, ou seja, terra arrasada

Eu devia ter uns dez anos quando aceitei passar um feriadão acampada com tios e primos em Búzios. Búzios, na época, ainda era Búzios.

Metemos duas barracas da Mesbla na Kombi do meu pai, junto com a tralha, que incluía uma privada de madeira construída pelo meu avô marceneiro, para que mantivéssemos as comodidades do lar. O acampamento cigano foi erguido no canto de uma João Fernandes ainda selvagem.

Exaustos da viagem, arrochamos a boca de fogão num botijão, a fim de cozinhar o macarrão com Pomarola da janta. Não deu um minuto, o barulho agudo do vazamento resultou num cheiro insuportável de gás. “Vai explodir!”, gritou meu tio, enquanto tentava evitar a tragédia.

Passado o susto, engolimos a gororoba, lavando pratos e dentes na espuma da arrebentação. Não lembro o que fizemos com os sacos plásticos das necessidades, ajustados ao trono do meu avô. Temo confessar que os jogamos no mato, como se o mato fosse dar cabo deles.

Eu me lembro, sim, de cair amontoada no quartinho de tela num calor de rachar e de ser acordada por um primo que enchera a cara e acabou vomitando nos pés dos ocupantes da sala do château de náilon.

Assim que o dia raiou, carente de paz e privacidade, inflei o bote de plástico e passei a sexta, o sábado e o domingo a boiar na marola, sem blusa, chapéu ou filtro. Ignorávamos o risco de melanoma naqueles idos de 1975. No caminho de volta, notei o contraste entre o roxo da pele e o branco da marca do biquíni. A queimadura levaria um mês para sarar.

Trauma de infância, nunca mais acampei e nem senti falta de acampar.

Eu levaria duas décadas para retornar à Armação dos Búzios. Dessa vez, nada de farofa. O pai de um namorado possuía uma casa linda, no centro da Ferradura, cujo jardim terminava num muro sobre a areia. A maré alta engolia a beira-mar e me pareceu estranho que uma praia pública pudesse ser loteada de maneira tão privée.

Pela manhã, despertei com o roncar das lanchas.

Não só a areia da Ferradura fora privatizada, como o espelho d’água liberado para todo o tipo de esportes aquáticos. Banana boats, motos aquáticas e embarcações variadas zanzavam como moscas no plácido oceano, ameaçando banhistas, afugentando peixes e arruinando o que Deus criara.

No apagar das luzes do segundo milênio, os dois penhascos que fecham a entrada da exuberante enseada ainda restavam intactos, mas os grandes resorts já negociavam as encostas recobertas de vegetação nativa, animais rasteiros e ninhos de pássaros.

Eu levaria outros 20 anos para retornar ao Éden de Brigitte Bardot. Foi em setembro, agora, no meu aniversário de 55 anos.

A engarrafada via de mão dupla que dá acesso à península sempre foi horrenda, mas piorou com a idade. O comércio de casas feias quintuplicou o número de restaurantes, supermercados, postos de gasolina e agências de turismo. Um não acabar de néons, reclames e outdoors vendendo o que não mais existe.

Minto.

A praia dos Ossos ainda guarda a memória do antigo encanto. A igrejinha do século 18, protetora dos baleeiros, continua lá, mas o resto foi entregue à especulação imobiliária.

Condomínios inteiros avançam sobre as demais praias. Boates bregas, pistas de minikart e pombais batizados de hotéis, onde antes respiravam dunas. Quase nenhum vestígio da paisagem agreste.

A praia da Tartaruga foi tomada por botecões estilo favela. Enormes barracas de compensado e concreto, com mesas que se alastram em direção ao mar. Um festival de latas de cerveja, garrafas, copos de plástico e guimbas meio fumadas.

Búzios é o exemplo vivo, ou morto, da ocupação predatória que Ricardo Salles, o antiministro do Meio Ambiente, planeja para o que sobrou do Brasil.

Resorts com piscinas de cloro sobre os manguezais que alimentam a vida marinha e a nossa. O lucro rápido de uma meia dúzia, em troca do prejuízo eterno de milhões.

Extrativismo. Queima de riquezas irrecuperáveis. Terra arrasada.

Minha família jamais deveria ter acampado em João Fernandes; o pai do meu namorado não poderia ter fincado sua casa na areia da Ferradura e nem as malocas-bares destruído a beleza da Tartaruga.

Você pode desculpar os adultos da década de 1970 por não besuntarem as crianças com filtro solar. E perdoar a falta de consciência ecológica e planejamento urbanístico dos anos 1980 e até 1990.

Em 2020, é crime! É crime, Ricardo Salles. Minha solidariedade à juíza Maria Amélia Almeida Senos de Carvalho, da 23ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que tentou barrar essa boiada. Pena que durou pouco.

sábado, 4 de julho de 2020

"A MOENDA" - Equipamentos da Cultura Buziana II

Ilustração com bico de pena: Alan Camara

A “moenda” era um equipamento artesanal utilizado pelos antigos buzianos para extrair o caldo da cana. Diferente do “SUBACO”, equipamento mais rudimentar, a moenda exigia habilidades de um carpinteiro para construí-la e somente famílias mais abastadas tinham condições de ter uma em seu quintal.
Para fabricá-la, o carpinteiro não utilizava qualquer ferramenta mais sofisticada além do serrote e da plaina manual. Após sua construção, as bases da moenda eram enterradas numa profundidade suficiente para manter sua estrutura firme durante o funcionamento.
Para extrair o caldo eram necessárias duas pessoas - cada uma de um lado - para fazer girar a engrenagem e espremer a cana; o caldo extraído descia pelo cilindro de madeira, caia numa calha improvisada com partes de uma lata de banha (gordura de porco utilizada para cozinhar) e escorria para a vasilha.
O caldo servia tanto para beber puro quanto para misturá-lo ao café.

sábado, 27 de junho de 2020

"SUBACA" - Equipamentos da Cultura Buziana

Ilustração feita com bico de pena (Alan Camara)



Estou trabalhando numa série de desenhos feitos com bico de pena que ilustra alguns equipamentos artesanais usados pelos antigos moradores de Búzios.

A "subaca" era um equipamento artesanal utilizado para extrair o caldo da cana. Usava-se um pedaço de madeira ou um tronco de árvore com um sulco de espessura suficiente para encaixar a haste, pressionar a cana e extrair o caldo.

O caldo era misturado ao café e dava um sabor especial. Posteriormente irei detalhar o processo e deixar uma receita 

Que tal os restaurantes de Búzios incluírem o "café buziano" em seus cardápios?

segunda-feira, 22 de junho de 2020

A vida e o legado de Luiz Gama, herói da liberdade

Luiz Gama (c. 1860)



Por Irapuã Santana 
Publicado no caderno Estado da Arte - Jornal Estadão (21 de junho de 2020)

“Eu disse, uma vez, que a escravidão nacional nunca havia produzido um Terêncio, um Epitecto, ou sequer, um Spártaco. Há, agora, uma exceção a fazer: a escravidão, entre nós, produziu Luiz Gama, que teve muito de Terêncio, de Epitecto e de Spártaco”. [1]
Sílvio Romero

Uma criança negra livre é vendida para quitar uma dívida de jogo de seu pai, consegue a alforria, estuda Direito e consegue libertar mais de quinhentas pessoas escravizadas.

É roteiro de filme hollywoodiano, mas sua origem é real e bem brasileira. Ela começa em Salvador, Bahia, em 21 de junho de 1830, quando nasceu Luiz Gonzaga Pinto da Gama.

Jornalista, poeta, advogado e um ativista incansável na luta contra o regime escravocrata, Luiz Gama deveria estar entre as figuras mais conhecidas da história brasileira, como um dos maiores, senão o maior, símbolo dessa época. No entanto, apesar de um grande potencial de transmissão de sua mensagem à frente, diante da quantidade de documentos históricos à nossa disposição, bem como por se tratar de um passado relativamente recente, pouca gente conhece a história desse verdadeiro herói.

Assim, estas poucas linhas são uma singela tentativa de fazer justiça à memória desse grande personagem brasileiro.

Filho de Luiza Mahin, uma negra africana livre, com um fidalgo de origem portuguesa de uma das principais famílias baianas, cujo nome se desconhece, Luiz Gama, com apenas dez anos de idade foi vendido como escravo por seu pai.

Ao desembarcar no porto de Santos, subiu a serra – descalço e faminto – até Campinas. Para se ter uma ideia, o Google Maps, hoje em dia, coloca a distância entre as duas cidades como equivalente a 175 km, com, no mínimo, 37h de caminhada. Imagine isso em 1840, em condições precárias, no meio da mata fechada, para uma criança de apenas dez anos de idade.

Com dezessete anos, Gama conheceu um jovem rapaz que lhe ensinou a ler e escrever, bem como matemática e alguns conhecimentos humanistas. Aos dezoito, começou a reunir provas de que sua situação de escravizado era completamente ilegal, tendo ciência de que seu pai e sua mãe gozavam de ampla liberdade.

Pediu que seu então senhor lhe desse a alforria. Sem sucesso.

Luiz Gama, então, fugiu para São Paulo, na posse das provas de que nascera livre, quando passou a servir às forças armadas até 1854. Em 1856, foi nomeado escrevente da Secretaria de Polícia, onde se aproximou de José Bonifácio e iniciou seus estudos de Direito por sua própria conta.

A literatura serviu para Luiz Gama como passaporte para os círculos sociais mais altos, tendo como sua obra mais proeminente de poesia “As Primeiras Trovas Burlescas”, de 1859.



A poesia Quem Sou Eu?, popularmente chamada de Bodarrada, talvez seja uma das mais conhecidas das Primeiras trovas burlescas. Nela, Gama traça um autorretrato:

“Faço versos, não vate, digo muito disparate. Mas só rendo obediência à virtude, à inteligência: eis aqui o Getulino…”.

O nome “Bodarrada” vem da palavra “bode”, que, na gíria da época significa mulato, negro. Assim, Luiz Gama indagava:

“Se negro sou, ou sou bode, pouco importa. O que isto pode?”

E terminava sua poesia dizendo:

“Haja paz, haja alegria, folgue e brinque a bodaria. Cesse, pois, a matinada, porque tudo é Bodarrada!”. [2]


Em 1868, Gama foi expulso da polícia por ser considerado baderneiro, por conta de sua atuação junto ao Partido Liberal à época. Foi nesse ínterim que se consolidou a figura do ativista liberal abolicionista. Enquanto se preparava juridicamente sozinho, por ter sido rejeitado pelos colegas e professores de faculdade, escrevia para inúmeros jornais: O Diabo Coxo, O Cabrião, O Polichinelo, O Coaraci e, mais tarde, O Radical Paulistano, entre outros. Sob pseudônimos, tecia grandes críticas à sociedade escravagista e à política do regime monárquico.

Diabo Coxo (dez/1864), fundado por Gama e Angelo Agostini.


Dez anos depois da primeira edição das Primeiras trovas burlescas, o jornalista liberal tinha a audácia de jogar os refletores, de condenar a incompetência, a ignorância e a corrupção dos juízes da província, insolência que lhe valeu tanto perseguições políticas quanto notoriedade. Quer pelo humor, quer pela seriedade, as palavras de Luiz Gama deviam ter um peso insuportável para os doutores, alvos prediletos do julgamento por parte do insolente ex-escravo, ex-analfabeto e autodidata sem diploma, o que lhe conferia uma certa superioridade e, por que não dizer, uma indisfarçada autoestima.”[3]

Embora mereçam nota, o servidor público, o poeta e o jornalista formam apenas uma introdução do legado de Luiz Gama, enquanto advogado – apesar de apenas ter sido reconhecido como tal pela OAB somente cento e trinta e três anos após sua morte. Até então, atuava como rábula.

Luiz Gama utilizava toda sua formação moral e jurídica como instrumento de luta nos tribunais, na imprensa, nos parlatórios e onde mais sua voz pudesse ecoar pela vinda da sonhada liberdade a todos os escravizados.

A Lei Feijó, de 1831, foi muito invocada por nosso herói. Ela é conhecida por ser uma das grandes responsáveis pelo surgimento da expressão “pra inglês ver”. Ela declarava “livres todos os escravos vindos de fôra do Imperio” e impunha “penas aos importadores dos mesmos escravos”. No entanto, como não havia intenção de materialização desse objetivo, o tráfico negreiro continuou sem qualquer restrição.

Mas Luiz Gama, munido de provas de que a pessoa havia aportado no país após essa data, vinda da África, conseguia nos tribunais sua alforria, em vitórias magníficas. Uma das histórias mais contundentes e elucidativas de como atuava em seu cotidiano é a que segue:

………..

Entrou-lhe um dia, pelo escritório adentro, um negro que desejava libertar-se e que ia entregar-lhe o montante do pecúlio necessário para que Gama tratasse de alforriá-lo. Enquanto o preto expunha o seu caso, aparece o senhor, que por sinal era amigo do advogado. Estava visivelmente inquieto, triste, abatido. E entrando em explicações, pergunta ao negro por que pretende abandoná-lo, a ele que sempre lhe dera trato e carinho iguais aos de seus filhos.

– Por que queres deixar-me, abandonando o cativeiro de um homem bom como tenho sido, arriscando-te a seres infeliz quando estiveres sozinho pela vida?

O escravo não respondia. Não tinha o que reclamar, pois o amo fora sempre, mais que humano, solícito e bondoso. O senhor não se conformava com a atitude do escravo:

– Por que me abandonas? Que é que te falta lá em casa? Dize… fala…

– Falta-lhe – interveio Luiz Gama, dando uma palmada no ombro do preto – falta-lhe o direito de ser infeliz onde, quando e como queira!

E libertou o negro.[4]

…………………

Nosso personagem histórico variava seus argumentos das mais diversas formas possíveis para defender seus clientes. Uma fala que entrou para a eternidade e levou o real significado da liberdade para Luiz Gama ocorreu quando defendia um negro escravizado que havia matado seu senhor: Todo escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata em legítima defesa.[5]

Foi com essas atuações que o ex-escravo conseguiu libertar mais de quinhentas pessoas escravizadas durante sua vida.

……………..

Em 24 de agosto de 1882, morre Luiz Gama. Conta-se que 10% da população de São Paulo esteve presente no seu velório e enterro. Infelizmente, apesar de seus grandes feitos, muito pouca informação sobre Luiz Gama é disseminada no Brasil.

Inscrito no livro dos heróis nacionais em 16 de janeiro de 2018, e apesar de ter sido nomeado o patrono da abolição da escravatura no Brasil na mesma data, não vemos uma minissérie, um filme, dificilmente uma peça em seu nome com sua vida.

Os livros de história nos colégios tratam o dia de hoje como uma data em que pessoas brancas concederam a liberdade a pessoas negras e apagam o fato de que personagens heroicos lutaram com suas vidas para que a sonhada liberdade chegasse a todos.

Em nossas mãos está a obra de Luiz Gama, uma pessoa que fez da sua vida um ensinamento, que dedicou a sua vida à causa abolicionista.

Nós temos o potencial de ser o seu legado, levando sua palavra adiante, não o deixando cair no esquecimento, em sua vivência e em sua mais forte essência. Temos o potencial de fazer isso ressignificando o 13 de maio, que deve ser entendido como uma data de lembranças das narrativas corretas, dos contos de quem passou por todas as etapas da vida se dedicando à liberdade e à igualdade de fato.

Um novo 13 de maio deve ser fundado no país, tendo como base a obra e o legado de Luiz Gonzaga Pinto da Gama.

domingo, 21 de junho de 2020

História: Búzios nos mapas




Búzios, 1839 (Arquivo nacional)



Búzios, 1939 (Arquivo nacional)



Búzios, 1940 (Arquivo nacional)



Búzios, 1949 (Arquivo nacional)


segunda-feira, 15 de junho de 2020

Brás de Pina: da Princesinha da Leopoldina à Armação dos Búzios

A ilustração retrata o momento da caça da baleia em Búzios no séc. XVIII
Arte: Alan Camara


Até a construção da Avenida Brasil, na década de 1940, suas terras alcançavam a Baía de Guanabara e sua história cruza com a da cidade de Armação dos Búzios, no litoral fluminense. Ambos os lugares têm nome e povoamento relacionados ao Visconde de Brás de Pina, filho de nobres portugueses nascido no Brasil e um dos grandes empreendedores da capitania do Rio de Janeiro, na primeira metade do século XVIII.

As terras hoje ocupadas pelo bairro carioca eram de sua propriedade. Nelas, eram produzidos açúcar e aguardente, artigo bastante procurado pelos traficantes negreiros da cidade da época, por ser uma das principais moedas de troca por escravos, na África. Mas a principal atividade de Brás de Pina não era a de senhor de engenho e sim a de contratador de pesca da baleia. Ele foi a primeira pessoa da capitania a obter concessão para manufaturar os produtos oriundos do cetáceo, como o óleo, o espermacete e a barbatana, ampla e respectivamente utilizados na iluminação das ruas e das residências, na fabricação de velas e na confecção do vestuário feminino, entre outros usos.

Eram manufaturas produzidas nas armações que o visconde mantinha em Búzios, na região de Cabo Frio, e na área urbana do Rio, nas proximidades da Candelária, onde também construiu um porto para embarcação das mercadorias provenientes de seus negócios. O Cais de Brás de Pina era, em toda a cidade, o único feito de pedra. Provavelmente, por causa de sua localização e estrutura foi escolhido para se transformar no porto oficial de embarque do ouro vindo das Minas Gerais, motivo pelo qual passou a ser denominado de Cais dos Mineiros. Com isso, a armação localizada na área urbana do Rio acabou desativada, aumentando a importância da que havia em Búzios, até 1765, quando terminou sua concessão de contratador da pesca da baleia. Já o porto do visconde se tornou o principal do Rio de Janeiro por mais de um século e meio.


A fazenda de Brás de Pina ficava situada na maior e mais próspera freguesia rural do Rio, a de Nossa Senhora da Apresentação do Irajá. Além do engenho e da residência, havia uma capela, a de Nossa Senhora da Conceição, citada em documento histórico como “das melhores do Recôncavo”, expressão usada pelos setecentistas para chamar as terras no entorno da Baía de Guanabara.

As ruínas do engenho ainda eram visíveis em meados do século XX. Em 1917, foram usadas como cenário do primeiro filme policial brasileiro, intitulado A quadrilha do esqueleto, segundo o jornal A Noite de 17 de fevereiro de 1940. Sob os grossos paredões de pedra das construções havia corredores subterrâneos. Ainda no século XVIII, o engenho de Brás de Pina foi adquirido por D. José Joaquim Justiniano Mascarenhas de Castelo Branco, que se tornou bispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro, durante o período colonial.

Com sua morte, a propriedade foi repassada para herdeiros. Em meados do século XIX, a antiga fazenda já estava dividida em grandes glebas pertencentes a várias famílias, entre elas os Gama, os Ene e os Lobo. Posteriormente, parte das terras de Brás de Pina e áreas circunvizinhas foi comprada pelos Guinle.

Com a inauguração, em 1886, da Estrada de Ferro do Norte (incorporada em 1898 pela Leopoldina Railway Company) – interligando São Francisco Xavier a Meriti –, o crescimento da região se acelerou e os bairros que integram a atual Zona da Leopoldina começaram a tomar forma. A Estação de Brás de Pina foi inaugurada em 1910 e, na década seguinte, a Cia. Imobiliária Kosmos, de propriedade dos Guinle, inaugurou a Vila Guanabara, inspirada no projeto inglês das cidades-jardins. Com ruas planejadas, casas em estilo colonial e muitas árvores, a estratégia de venda comparava o empreendimento à Vila Ipanema. O projeto ainda incluía um centro comercial ao lado da linha férrea e um espaço para a vida social: o Guanabara Tennis Clube, atual Brás de Pina Country Club. Em 1929, a Cia. ainda entregou aos moradores a Igreja de Santa Cecília. Não demorou muito para o novo bairro ficar conhecido como Princesinha da Leopoldina.

Texto da página
https://www.facebook.com/descortinandorio/



domingo, 14 de junho de 2020

Búzios não tem plano “B”

Aviso afixado num loja da Turíbio de Farias, rua nobre do Centro de Búzios


Do ponto de vista sócio-cultural podemos dividir Búzios em duas eras: antes e após Brigitte Bardot (1964). A própria atriz em sua biografia lamenta que após sua estadia na pacata comunidade de pescadores Búzios tenha se tornado, em suas palavras, uma espécie de “Saint Tropez” dos trópicos. — Não se iludam, a atriz fez a comparação em tom depreciativo. 


Deixando os aspectos culturais para outra oportunidade, a economia buziana, antes baseada na pesca e na agricultura de subsistência viu surgir uma nova matriz econômica: o turismo. Nos anos que se passaram, a pesca e a agricultura sucumbiram ao novo modelo e uma nova geração de renda fez Búzios ir ao infinito e além.


No entanto, no decorrer das décadas a cidade prosperou, mas prosperou mal — se é possível esse paradoxo. Não foi pensado, tanto pela iniciativa privada quanto pelo poder público, outras alternativas que pudessem gerar novas matrizes econômicas, e dessa forma, nos tornamos refém de uma industria próspera, porém, exposta à crises econômicas; as mais recentes na Argentina e no Chile, nossos principais mercados. Não bastasse isso, temos outro desafio diante de nós: a pandemia. Sob um ângulo local. a covid-19 levou a economia buziana à lona, afetou todos os segmentos possíveis e como no “Boxe” abriu contagem: 1,2,3,4,5… E se chegarmos a 10?  


"Não é momento para mensagens motivacionais postadas no facebook diariamente que servem somente para adormecer o senso crítico do eleitor"


Para sintetizar, é necessário uma nova revolução econômica em Búzios. Os candidatos a prefeito precisam tratar esse tema como prioridade e buscarem alternativas para gerar uma nova onda na economia buziana. O eleitor, o ator fundamental nesse processo, precisa cobrar dos pré-candidatos, planos concretos para Búzios nos próximos anos. Não é momento para mensagens motivacionais postadas no facebook diariamente que servem somente para adormecer o senso crítico do eleitor, é preciso mais. É urgente apresentar um plano para a cidade e especialmente mostrar as pessoas que estão em torno dessa ideia.



sexta-feira, 12 de junho de 2020

Búzios, 1959: “Há uma terrível epidemia no terceiro distrito” - diz vereador


Arte: Alan Câmara
Aquarela sobre papel: Alan Camara



Por Alan Câmara
Trecho do livro que estou trabalhando sobre Búzios antes de Brigiite Bardot

[...] Desprovida de qualquer estrutura de saúde, Búzios dependia de Cabo Frio, município-mãe, para suprir as demandas na saúde. Sem uma representação local do Poder Executivo, cabia ao vereador eleito pelo distrito intermediar junto à prefeitura as necessidades do povoado. Nos final dos anos de 1950, Búzios contava com dois representantes na Câmara de vereadores de Cabo frio, o vereador Jorge Paulo da Silva e Geminiano José Luiz — ambos buzianos — mas rivais políticos. Não obstante, Búzios enfrentava um grave surto de poliomielite que causou mortes e sequelas nas crianças da comunidade; segundo as palavras do vereador Geminiano José Luiz registradas em atas da Câmara Municipal, havia “uma terrível epidemia no terceiro distrito” e era urgente que a prefeitura disponibilizasse a *vacina “Salk” para aplicação nos recém-nascidos.

Sabe-se pelos registros da Câmara de Cabo Frio, nas palavras do presidente, à época, Jandyr Alves Cravo, que havia 200 doses da vacina disponíveis num posto de Saúde de Cabo Frio. Búzios contava com dois pequenos postos de saúde: um no bairro Rasa, outro em Manguinhos,  onde atualmente está a Escola José Bento Ribeiro Dantas. Ambos funcionavam precariamente, muitas vezes sem profissionais e sem insumos. Diante desse quadro, outras causas de mortalidade de adultos e crianças eram desconhecidas, e a ausência de médicos fazia com que as pessoas recorressem às “benzedeiras". Muitas pessoas adoeciam e morriam sem que a doença ou sua causa fossem identificadas, e por absoluto desconhecimento, diziam ser por morte “natural”. 



* A vacina Salk antipólio foi criada pelo médico americano Jonas Salk em 1953. A vacina combate o vírus que causa a paralisia e afeta principalmente crianças.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

A quarentena serviu para expor uma questão cultural em Búzios

Conversava com Toninho Português, ex-secretário de cultura de Búzios, entre outros assuntos, sobre a cultura buziana. As pessoas, envolvidas ou não com o tema, normalmente recorrem ao bordão "Precisamos resgatar a cultura buziana". Entretanto, fica uma questão primordial: onde está a cultura buziana para que seja resgatada?

Deixando de lado o processo imigratório das últimas décadas, que diluiu as características originais do que costumamos chamar de forma abstrata “cultura buziana”,  um dos fatores mais importantes e que contribuiu para desintegração cultural foram as concessões dadas a determinadas praticas comerciais que simplesmente ignoraram, sob o argumento do desenvolvimento econômico, a cultura e a história local.

Deixo como reflexão a belíssima cena que ilustra a situação: a quarentena serviu para expor uma questão cultural. A Praia do Canto, local histórico e estratégico para pesca artesanal com rede de arrasto viu retomar sua vocação original porque os pescadores e os peixes voltaram. Voltaram por quê? Será a ausência dos transatlânticos? Das escunas? Do tráfego intenso das lanchas?
Com as praias vazias, pescadores voltam a pescar com redes de arrasto

Os peixes voltaram

Foto antiga mostra pescadores na Praia do Canto após uma pescaria




Foto: Facebook José Cícero Souza e Marilene Silva



quarta-feira, 17 de julho de 2019

Os Militares da Democracia: os militares que disseram Não




Excelente documentário dirigido pelo documentarista e historiador Silvio Tendler. O filme faz parte do Projeto "Marcas da Memória" da Comissão de Anistia.

Sinospse:

Eles lutaram pela Constituição, pela legalidade e contra o golpe de 1964, mas a sociedade brasileira pouco ou nada sabe a respeito dos oficiais que, até hoje, ainda buscam justiça e reconhecimento na história do país. Militares da Democracia resgata, através de depoimentos e registros de arquivos, as memórias repudiadas, sufocadas e despercebidas dos militares perseguidos, cassados, torturados e mortos, por defenderem a ordem constitucional e uma sociedade livre e democrática.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Otavinho: “Nosso vereador custa 600m2 de paralelo por ano”


Por Alan Camara

Este artigo, o primeiro de uma série que será publicado neste blog, tem o objetivo de avaliar numa perspectiva histórica e comparativa, os acontecimentos políticos e culturais dos últimos 23 anos de Búzios como município. A intenção é utilizar fontes, como jornais, fotografias, documentos oficiais, personagens, eventos, entre outros, observando as mudanças culturais e políticas que aconteceram durante este período e compará-las com o cenário atual. Este artigo, por exemplo, utiliza como fonte, uma entrevista publicada no Jornal O Perú Molhado feita com o arquiteto Octávio Raja Gabaglia, em junho de 1996, alguns meses após a emancipação de Búzios.
Às vésperas das eleições de outubro de 1996, Búzios se preparava para eleger seu primeiro prefeito e sua primeira câmara de vereadores. A cidade ainda respirava os ares de sua independência político-administrativa de Cabo Frio — em 12 de novembro de 1995 – e vivia, o que se pode chamar “os anos dourados” da história de Búzios. Havia no imaginário coletivo do buziano a idealização de uma cidade próspera, que finalmente seria capaz de decidir sobre seus rumos sem a interferência dos políticos cabo-frienses.
Alguns nomes começavam a surgir como expoentes da nova política buziana, ora porque participaram do processo emancipatório, ora porque já se destacavam como políticos tradicionais. Um deles, Octávio Raja Gabaglia, conhecido popularmente como Otavinho, uma das figuras mais importantes da política local naquele período.  Otavinho foi eleito representante de Búzios como vereador em Cabo Frio (1983-1988) e por ter exercido seu mandato nos anos que eclodiram os movimentos emancipacionistas, figurou como personagem importante dentro do processo. Otavinho era vereador quando foi entregue à Câmara de vereadores de Cabo Frio, em 1985, o “Manifesto dos Oito”, documento redigido por um grupo de entusiastas emancipacionistas, considerado um dos primeiros passos que levaria à emancipação. Otavinho foi eleito como vereador nas eleições de 3 de outubro de 1996 e teve seu mandato cassado por dupla filiação partidária, assunto que será mais detalhado em outra oportunidade.
Otavinho era figura recorrente na imprensa buziana, especialmente no Jornal O Perú Molhado, que lhe dedicava periodicamente páginas para entrevistas ou opiniões, nas quais tinha por hábito analisar incisivamente as personagens e os cenários da política, naquele período, ainda em estágio embrionário de formação. Por ter sido figura importante no processo urbanístico da cidade — sua formação é arquitetura —, numa conjuntura na qual a simplicidade intelectual era predominante e, consequentemente, até certo ponto, ausente de outras vozes que pudessem refutar suas ideias e conceitos, Otavinho construiu durante os anos o status de principal formador de opinião para assuntos da política e da cidade. 
Suas críticas, ilustradas por metáforas de cunho urbanísticas, direcionadas aos pretendentes a cargos públicos, mais especificamente aos candidatos a vereadores que proliferavam por todos os lados, ainda estão completamente atualizadas, não por clarividência, mas pelo cenário político buziano não ter sido alterado em nada nesses 23 anos de emancipação. Nas palavras de Otavinho: “Nós temos candidatos, candidatos a candidatos, mas ninguém diz ao que veio.” 

“Nós contra eles”
É interessante observar nos jornais do período as dúvidas e os anseios do cidadão buziano em relação aos rumos que o novo município parecia tomar. A emancipação político-administrativa se deu como resultado da união de todas as camadas da sociedade e juntou classes sociais diferentes num mesmo objetivo. 
Após a vitória do “SIM”, em 12 de novembro de 1995, essas classes retornaram às suas posições originais e cada uma tratou de projetar seus interesses no novo município. Foi nesse contexto que o sentimento do “nós contra eles” começou a ser percebido, inicialmente no campo político-partidário, depois, nas relações sociais entre os “nativos e forasteiros”, que enxergavam horizontes diferentes para Búzios.  
Em 1996, o buziano ainda caminhava na lama e caia nos buracos. A cidade não tinha 20% de sua malha viária pavimentada e esta era uma das principais urgências para que o município pudesse dar seus primeiros passos em solo seco. Isso pode ser observado na entrevista em que Otavinho usa de suas metáforas para comparar o custo do vereador e do paralelepípedo: “Você sabe quanto custa um vereador para Búzios, só em custo direto? Só estou falando do salário que ele recebe, nada de telefone, assessor? 54 metros de rua calçada, com 5 metros e meio de largura, em paralelepípedo, por mês. Então, 600 m2 de paralelo por ano.” 
Em 2019 um vereador buziano custa aos cofres públicos 7.429,95 reais mensais, sem contar assessores, celulares e penduricalhos que recebe. Por ano, o custo de um vereador em Búzios chega a 96.589,35 reais. O preço do metro quadrado de paralelepípedo, segundo tabela 2019 da EMOP (Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro) é de 80 reais. Seguindo o raciocínio de Otavinho, somente o salário anual de um vereador de Búzios em 2019 permitiria ao município pavimentar 1.200m2 de paralelepípedo: uma rua!
A câmara de vereadores de Búzios não representa o cidadão
Atualmente pavimentação deixou de ser uma necessidade urgente. Apesar de não ter a malha viária pavimentada em sua totalidade, vias importantes já foram contempladas. Porém, novos obstáculos surgiram, especialmente no que diz respeito à probidade com a coisa pública, e fizeram aumentar antigos problemas, especialmente na educação e na saúde. Nesse ponto, o papel do vereador como fiscalizador dos atos do Executivo é de fundamental importância.   
Nos 23 anos de emancipação, com excessão de alguns lampejos, a atuação dos vereadores não desmentiu as palavras de Otavinho. A câmara de vereadores de Búzios sempre atuou no “limite seco” no que diz respeito ao padrão de atuação institucional esperado, ou seja, muito abaixo do nível de satisfação no qual o cidadão se sente representado. 
Numa análise simples, o Legislativo buziano é uma instituição que se omite de sua principal função: fiscalizar; corrigir as ações do Executivo, quando essas se desviam de seu curso correto e lícito. Por exemplo, ao contrário do que se pensa, é graças à atuação efetiva da Câmara que processos traumáticos, como impeachment, podem ser evitados. Quando há independência do Legislativo, e isso se traduz em fiscalização do Executivo, o cidadão é posto na posição central dessa relação.

  

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Câmara de vereadores emite comunicado sobre impasse político e internautas respondem



Em comunicado sobre crise política em Buzios , Câmara de vereadores dá um tapinha nas costas do buziano e diz: é assim mesmo, vai passar.
Vejam o que os internautas responderam na página oficial da Câmara de vereadores no facebook



Darci Sales A população já não aguenta mais as mentiras e esse vai e vem de dois homens que nesse entra e sai não faz nada a não ser ficar tapando o sol com a peneira, e vocês vereadores do amém que deveriam ficar ao lado do povo só sabem fazer birras com quem tem lutado sozinha mostrando a safadeza que está acontecendo na cidade!

Renata Cristiane de Oliveira Essa nota não pode ser escrita na TL???

Maike Rodrigues Interesse público ou na verdade, o pessoal? ???

Vivi Souza Engraçado é que logo no início do mandato dessa Câmara houve uma negligência da maioria dos vereadores quando se negaram ao pedido de impedimento do Prefeito em questão. Não é preciso lembrar os nomes que fizeram parte dessa história. Então... vcs são conivententes sim!
( Mais uma vez, digo que a paralisação é com S)


Eduardo Moulin Os principais responsáveis por esta instabilidade no governo são os senhores por deixar chegar a este ponto, oportunidades tiveram mais de uma vez de retirar o Governo porem decidiram se juntar a ele!

Lucas Pereira Dos Santos Me desculpe a câmara e me desculpe vereadora. mas isso ta pior que qualquer cabaré que já existiu.
enquanto isso a cidade que já não andava bem vai de mal a pior.
turismo perdendo força.

violência aumentando.
ruas piores que muita cidade que não recebe nem um decimo que búzios recebe.
Eu lucas pereira dos santos.
filho de lígia e lúcio(nego pipoqueiro)
Tenho vergonha. vergonha não da cidade. mas dos políticos que ela administram. isso inclui a briga de galo(dos dois prefeitos.) e de vocês. que a mais de 1 ano veem essa situação e nada fazem. pelo contrario. puxam sardinha pro lado que vocês consideram melhor. e esquecem da cidade.
cidade essa que esta prestes a completar 25 anos.
E ninguém ver o potencial que esta cidade perde ano apos ano. com continuo prefeitos e vereadores que viram o bem próprio e tentam força a barra dizendo que estão atras do interesse publico.
no dia que eu ver vocês indo de transporte publico ao trabalho. e resolverem todos os problemas de saúde de vocês e educação dos filhos de vocês como um cidadão do qual vocês tanto juram, e afirmam perante Deus e o mundo que se preocupam. eu começo a acreditar em vocês.

ARMAÇÃO DOS BÚZIOS 
TRISTE CIDADE RICA.
onde suas riquezas se perdem como muitas outras em prol do poder $$$


Gerson Sampaio a população tem é que ir pra rua pra acabar com essa palhaçada,esse vai é vem da cadeira não ta tendo nem marcação de consulta,,búzios ta um cachorro sem dono..😡


Rafael Dias 100% de renovação pro legislativo. E o único jeito!!

Marilene Rabello Piada. Façam como a Gladys Nunes. Cobrem de verdade. Sejam o que são pagos pra fazer e não com propina, cargos e toma lá dá cá. Hipocrisia

Marcos Silva Sobre o penúltimo parágrafo da NOTA OFICIAL: poderiam diligenciar sobre as condições da nova UBS da Ferradura, considerando as alegações da ASCOM da Prefeitura de Búzios: "...foi constatada que o local não está em condições de iniciar o atendimento para população." (https://bit.ly/2XN57W4) O que é isso senão resultado da instabilidade política que se instalou no município? O Conselho Municipal de Saúde está até a presente data aguardando o envio de informações para elaboração de parecer sobre as contas do exercício de 2018.

Link:
https://www.facebook.com/camarabuzios/photos/rpp.779483148747668/2688052437890720/?type=3&theater